ninho vazio... é hora de se voltar pra dentro

Hoje recebi um recado de uma amiga do vilamulher que me inspirou a postar esse blog. Minha amiga falava como está sendo difícil enfrentar o que ela chama de “solidão a dois”. Com os filhos adultos e morando fora, ela se sente sozinha mesmo quando o marido não está viajando a trabalho. Pelo que entendi, ele não tem muitos interesses além da profissão, por isso o lazer se resume a passeios à casa de parentes. É realmente uma situação complicada, mas não impossível de se contornar.

Minha realidade é um pouco diferente da dela, mas entendo bem o que está sentindo. Já ouviram falar da síndrome do ninho vazio? Acho que é isso que ela e que muitas de nós que já entramos na casa dos “enta” passamos. Eu, por exemplo, tenho dois filhos praticamente adultos e que estão começando a bater as asinhas. Meu mais velho, de 20, faz faculdade de Cinema em São Paulo (eu moro em Santos). Ele vem pra casa só de 15 em 15 dias e quando se formar deve morar por lá. Meu marido é cinegrafista. No momento está por perto, mas vive viajando. No último projeto que participou, ficou dois anos num vai-e-vem. Eram dez dias fora e uma semana em casa. Meu outro filho tem 18 anos e também já não pára . Faz “freelas” de produção cultural em São Paulo, cursinho, tem uma banda, namorada... Já viu, né?

Nos últimos anos, vivi mais em função deles do que de mim, por isso, quando vi que todos estavam batendo suas asas, percebi que a "Chrys" praticamente não existia sem eles e que perderia o “sentido” se todos fossem embora. Nesse momento me dei conta que precisava de projetos pessoais. Coisas que me dessem prazer e, se possível, renda. Dou aulas de telejornalismo em uma faculdade local, mas neste semestre tenho apenas duas turmas e só às sextas vou para a universidade.

Sempre fui uma pessoa agitada, preocupada com as responsabilidades da casa e do trabalho, mas há um ano tudo mudou. Além de ver os filhos se tornando independentes, saí de um emprego de 12 anos. A emissora de tv em que eu trabalhava fez um mudança estrutural e de conceitos... nessa reorganização, os repórteres mais antigos e que ganhavam mais foram demitidos. Não guardo mágoas sobre isso, é uma questão mercadológica, mas não posso dizer que foi fácil. Ainda hoje me bate uma certa melancolia por causa do vínculo afetivo que criei com os colegas e com a própria emissora.

Mas a saída me fez bem, mesmo bagunçando minha vida financeira. Sem filhos e marido por perto e com apenas uma sexta feira ocupada, comecei a fazer um balanço geral... a realmente olhar para dentro. E nessa volta a mim mesma, descobri que a vida estava me dando a oportunidade de redirecionar, de mudar o que não me fazia bem. Entre momentos de depressão e euforia, comecei a dar forma a idéias engavetadas e uma delas é a de um programa independente de tv voltado a mulheres como nós, que já entraram na casa dos “enta”.

Também voltei a cantar em coral depois de 17 anos afastada... e me informatizei. Até maio, mal sabia enviar um e-mail, hoje estou aqui, blogando, postando vídeos, fotos, me conectando com o mundo. O mérito desses “avanços” não são só meus. Em setembro, decidi que precisava incrementar meu processo de auto-conhecimento e escolhi a “análise”. Há seis meses faço duas sessões por semana. Sei que muitos acreditam que “isso é coisa pra rico”, mas garanto pra vocês que não. Mais classe média do que eu, impossível! rsrsrsrs. O que sei é que os resultados estão surgindo. Mesmo sem dinheiro, comecei as gravações do “piloto” do meu programa. Estou bem animada e aprendendo muito (que é o que me dá mais satisfação). Como vêem, estou fazendo a minha "virada" e espero continuar “virando” sempre que precisar!

Não sou nenhuma “dicóloga”, mas se tivesse que dar alguma dica seria: olhe pra dentro, busque seus desejos e corra atrás deles.

Um beijão pra todas vocês que passarem por aqui.

Até o próximo!

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