Neurodidática explica a importância do aprendizado logo cedo

Neurodidática

Provavelmente todos já ouviram alguma vez na vida a seguinte máxima: "depois de velho não se aprende mais". Pode soar apenas como uma frase de efeito pessimista; mas de acordo com os princípios da neurodidática, isso realmente acontece. Essa ciência - que surgiu há cerca de 20 anos - procura aproximar a neurociência da educação, a fim de entender como a aprendizagem se dá no cérebro. Mas seu principal objetivo está em explicar porque os principais estímulos ao cérebro devem acontecer até os sete anos de idade da criança.

Afinal, por que é que depois de certa idade a pessoa não aprende tão bem? Ao nascer, o ser humano possui centenas de bilhões de neurônios que vão se reduzindo ao longo da vida. A especialista em psicopedagogia e educação especial, Dra. Marie Irene Maluf, explica que é a partir dos dois primeiros meses de gestação até os sete anos de idade que a criança tem maior produtividade de sinapses, que são as conexões realizadas entre os neurônios no cérebro de um ser humano. Mas com o passar do tempo essa situação muda.

"Quando o bebê nasce ele não é um zero à esquerda, ele já trouxe algum conhecimento. E conforme o tempo vai passando ele forma mais sinapses. Você pode imaginar que ele pode formar muito conhecimento, sobretudo nos primeiros seis meses de vida. Por que não estimulamos ao máximo então, principalmente até os sete anos de idade? Depois disso começa a decrescer, há um amadurecimento sináptico", explica.

O amadurecimento sináptico de que Dra. Maluf fala é chamado também de "poda" e pode ser explicado por meio de um simples e até instintivo mecanismo que se encerra em meados da puberdade. Apenas as ligações cerebrais usadas com mais frequência são fortalecidas e conservadas. As demais, sem estímulos, acabam se atrofiando.

A psicopedagoga usa o exemplo assimilação de línguas para ilustrar o que acontecesse no cérebro humano até os sete anos de idade. "Os bebês nascem com a capacidade de aprender qualquer idioma. Se ele não exercita isso, o cérebro poda as sinapses que não são tão usadas. E podando isso, evidentemente você não tem mais como recuperar. Por isso que nos sete primeiros anos é mais fácil você ensinar qualquer coisa para a criança", explica Dra. Maluf com ênfase.

Apesar de não ser possível recuperar aquilo que a criança deixou de aprender durante suas janelas de oportunidade - momentos considerados melhores para a cognição de determinadas informações - é possível tentar reforçar ou reconstruir o que alguém deixou de elaborar durante a infância.

Dra. Maluf explica que o primeiro passo para isso é avaliar os talentos da pessoa, o que ela tem de muito positivo e aquilo em que ela tem grandes dificuldades. A partir disso e da idade do paciente ela começa, então, a tentar estabelecer novas conexões entre os neurônios da pessoa.

Se ela recebe em seu consultório uma criança que apresenta, por exemplo, dificuldade de alfabetização devido à ausência de estímulos, é dentro desse campo que ela deverá trabalhar ao tentar resolver o problema. "Eu retroajo e começo a reelaborar coisas que ela deveria ter aprendido antes", aponta a psicopedagoga. "Quando eu quero estimular que a criança aprenda o alfabeto, eu peço para ela fazer letras de massinha, por exemplo. Ela percebe que aquela é uma forma a aprender", pontua.


Esta maneira de estimular a educação infantil ainda é pouco difundida, mas poderia mudar toda maneira em que é pautada a educação até aproximadamente a quarta série do ensino fundamental, em que os pedagogos evitam educar o pensamento das crianças de forma direcionada para não sobrecarregá-las. "Seria a oportunidade de os pequenos terem estímulos maiores, com desafios, sem ter que decorar as coisas", encerra Dra. Maluf.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

Comente