Não aos alimentos industrializados!

Não aos alimentos industrializados

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 67% dos 270 pais de crianças frequentadoras de berçários e creches públicas ou filantrópicas entrevistados já ofereceram algum tipo de alimento industrializado para os filhos, antes que eles completassem um ano de idade.

A nutricionista e autora da pesquisa, Maysa Helena de Aguiar Toloni, explica que o fato de alimentos como macarrão instantâneo, açúcar refinado, suco de frutas artificial, salgadinhos e embutidos entrarem tão precocemente na dieta de crianças é graças ao fato das mamães interrompem, também precocemente, o aleitamento de seus pequeninos. "A ingestão precoce, continuada e excessiva desses alimentos, está associada à interrupção precoce do aleitamento materno e ao baixo consumo de frutas e hortaliças e consequentemente formação de hábitos alimentares inadequados desde a infância", diz a especialista.

Ela alerta que, com esse tipo de alimentação, tão pobre, o crescimento e o desenvolvimento infantil são comprometidos, podendo acarretar em diversos problemas. Processos alérgicos, carências de vitaminas e minerais, aumento da incidência de cáries, obesidade infantil e o surgimento cada vez mais precoce das chamadas doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e dislipidemias são alguns dos que podem aparecer. Não por menos, afinal, alimentos industrializados não possuem as vitaminas, as fibras e os minerais que os alimentos naturais possuem e, além disso, contém aditivos químicos, um verdadeiro veneno para o organismo.

A nutricionista também veta o oferecimento de açúcar. "O mel é totalmente contra-indicado no primeiro ano de vida pelo risco de causar botulismo. Refrigerantes, sucos industrializados, doces em geral, balas, chocolate, bolachas recheadas, salgadinhos, enlatados, embutidos, frituras, café, são alimentos que não devem ser oferecidos às crianças antes de 2 anos de idade", ressalta.

As dúvidas de até quando alimentar com isso ou aquilo sempre surgem. Maysa orienta como deve ser seguida a dieta das crianças: "Até os seis meses de vida, a criança necessita somente do leite materno, sendo desnecessária a oferta de água, chás, ou qualquer outro alimento. A partir dos seis meses, devem-se introduzir, de forma lenta e gradual, alimentos complementares, mantendo a amamentação até os dois anos de idade ou mais. A alimentação deve ser composta por frutas e hortaliças, cereais ou tubérculos, carnes e leguminosas.


A partir dos oito meses de idade, a criança já pode receber os alimentos preparados para a família, desde que sem temperos fortes, oferecidos em consistência adequada e em pequenas quantidades". Antes de mais nada, ela deixa claro que os rótulos dos alimentos devem ser lidos antes de serem oferecidos às crianças. Lembrando que, segundo as recomendações do Ministério da Saúde, alimentos industrializados não devem ser oferecidos à criança antes que ela complete dois anos de idade.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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