Movimento Criança Mais Segura na Internet

Movimento Criança Mais Segura na Internet

A internet pode ser um lugar arriscado para aqueles que não sabem lidar com os perigos que ela oferece, principalmente as crianças. Por isso, a educação voltada para a web se torna cada vez mais necessária, embora ocasionalmente esquecida. Observando essa demanda, o Movimento "Criança Mais Segura na Internet" foi criado, para que essa educação pudesse ser dada por todos os que convivem com os pequenos - pais, professores etc.

"Todo o material é extremamente didático, utiliza vários tipos de linguagem e formato, para alcançar diferentes tipos de público e faixa etária e está acessível gratuito pelo site", diz Patricia Peck Pinheiro, especialista em Direito Digital e idealizadora do Movimento "Criança Mais Segura na Internet".

Ela conta que a maioria dos incidentes na internet acontece por pura falta de informação e, por isso, é incluso no material o contexto das leis em vigor. Para administrar o Movimento, foi criado o I-START (Instituto Internet no Estado da Arte), devido às dimensões que ele tomou. Trata-se de uma instituição sem fins lucrativos, que ajuda a disseminar projetos em prol de uma internet mais segura, além de outros, inclusive um voltado para a terceira idade. "Sabemos que a terceira idade é um alvo fácil para ataques de engenharia social, para contaminação por vírus ou arquivo malicioso, golpes digitais e queremos evitar que seja vítima de crimes eletrônicos", explica Patricia.

Qualquer um pode ser voluntário do Movimento, desde que tenha os mesmos ideais, ou seja, também queira fazer da web um lugar mais seguro, em especial para as crianças. "Pode ser desde um adolescente que quer passar a informação aos seus amigos até mesmo professores que buscam atualização sobre estes novos temas que invadem a sala de aula e exigem preparo prévio para que o mesmo saiba conduzir e orientar seus alunos", diz a idealizadora do Movimento, que também conta que, para espalhar o conteúdo do "Criança Segura", basta aderir a um termo de responsabilidade e seguir suas orientações.

Além do voluntariado, também há como mostrar suporte ao assinar o "Abaixo Assinado Digital", que busca apoio da sociedade para que assuntos relacionados à ética digital sejam inclusos na grade curricular de escolas públicas e privadas, no ensino fundamental e médio. "Pretendemos com este histórico todo conseguir que o conteúdo do Movimento seja levado para dentro da sala de aula de forma efetiva, massificado, ao invés de ser algo que depende que alguém venha buscar no site só quando toma conhecimento", expõe.

"Não podemos deixar que vire uma ‘terra sem lei’ ou vamos retroceder para o ‘estado de natureza’, a lei do mais forte. Tecnologia não pode estar dissociada de ética e de leis, sob pena de sabotarmos a próxima geração", completa ela, que também fala mais sobre a importância da implementação da disciplina: "Todo e qualquer indivíduo tem o poder de se expressar em tempo real para o mundo, gerando conteúdos que se perpetuam na Internet. No entanto, sem educação, o que seria algo positivo pode gerar muitas coisas negativas, de ofensas digitais a prática de plágio, além de outros crimes digitais".

Criança Mais Segura na Internet

E não são apenas pessoas físicas que podem contribuir para um ambiente virtual mais saudável. Sites em geral podem incluir em sua interface o selo do Movimento que, segundo Patrícia, funciona como um "atestado de apoio". "Quem coloca o ‘selo’ no site está ajudando o Movimento a chegar até as pessoas, até as escolas, às famílias, e demonstra seu compromisso com a construção de um Brasil Digital Ético".

Para que esses ideais sejam concretizados, a especialista em Direito Digital ressalta que este é um trabalho que envolve muitas pessoas e entidades, o que inclui portais de internet, divulgando a iniciativa, e instituições públicas, investindo em projetos de inclusão digital, como o "Brasil Banda Larga". Mas você, mãe, não se esqueça: a orientação começa em casa.


"A Internet trouxe a rua para dentro da casa. É importante refletir sobre isso, pois os principais riscos digitais são muito parecidos com os do mundo real. Tem a ver com falar com um desconhecido, com sofrer um assédio, com ter acesso a um conteúdo inapropriado para a idade, passar por situação de exposição de intimidade ou mesmo ser vítima de uma ofensa. Por isso, os pais precisam dialogar e orientar os filhos sobre o uso ético, seguro e legal da Internet. Devem ensinar sobre 'as regras do jogo' antes de deixar seu filho jogar. Os pais são responsáveis por orientar e vigiar seus filhos no mundo digital, sem fronteiras e em tempo real", conclui Patricia Peck.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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