MMA para crianças: quais os riscos?

MMA para crianças quais os riscos

Foto: Michael Greenberg/Corbis

Você já deve ter reparado que a luta do momento é o MMA, ou Artes Marciais Mistas. O assunto virou tema de rodinhas e o campeão Andersom Silva virou o mais novo ídolo dos brasileiros. A fama do MMA está tão grande que já foram lançados livros, filme e até bonecos dos lutadores, sem contar que as academias estão lotadas por conta da procura pela prática do esporte.

Com a repercussão mundial, o MMA está ganhando fã de todas as idades. E a grande preocupação são as crianças, que estão se interessando em praticar a modalidade. Um vídeo do Amenian Fighting Championship (ArmFC), da Armênia, encontrado na internet, coloca dois garotos, Minas Avagyan, de seis anos, e Hayk Tashchyan, de sete, lutando no octógono como se fossem profissionais.

Esse vídeo espantou muitos pais e grandes lutadores de MMA. Para Álvaro Junior, gerente técnico da academia Runner crianças não podem lutar MMA, mesmo sendo supervisionada pelos pais. "A criança, por melhor que seja a sua criação, tanto pela família quanto pela escola, não está preparada psicologicamente e fisiologicamente para assimilar as técnicas de combate do MMA. E se ela já tem uma noção de alguma arte marcial e já passou por todos as fases de treinamento, eu indico o MMA somente a partir dos 18 anos", defende.

Ana Pozza, psicoterapeuta familiar, de casal, adultos e adolescentes também discorda da prática do MMA por crianças e enumerou os danos que a prática pode causar nos pequenos:

1. A criança irá desenvolver a musculatura para além do que ainda é capaz de usar, e pode não ter noção da sua força e das consequências ao utilizá-la. Poderá machucar seriamente um amigo da mesma idade, sendo que somente conheceria as consequências dos seus atos após uma fatalidade, pela qual não tem condições de arcar.

2. A criança poderá abusar do poder que a sua força e as técnicas de luta lhe oferecem, encontrando meios de liderar os demais amigos e usar de manipulações e violência, provocando até mesmo situações de bullying.

3. Como a luta desenvolve a competição, a criança poderá se sentir exigida a corresponder às expectativas que seu corpo e seu psiquismo não estão preparados, gerando um abuso físico do adulto que a leva a tal prática. Assim como um autoabuso, em que ela desejará superar a si mesma e aos outros, poderá gerar situações de baixa autoestima.


4. Dependendo da forma como for orientada, a criança poderá crescer com a ideia de que a prática da violência é uma forma de resolução de conflitos, ou mesmo crescer com a ideia de que competir é mais importante do que cooperar e aprender.

5. A criança pode participar de um grupo de luta no qual não consegue desenvolver-se tanto fisicamente e, em meio a crianças mais fortes, poderá se sentir constantemente diminuída, já que é uma prática em que a força é fundamental. Poderá então manifestar irritação e baixa autoestima e passar a lutar com crianças menores ou mais fracas para poder se sentir melhor e mais forte, buscando assim ser aceita no grupo da luta;

Por Marisa Walsick (MBPress)

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