Mito da mãe perfeita - não se cobre tanto!

Mito da mãe perfeita  não se cobre tanto

Mulheres por natureza têm a mania de perfeição e sofrem mais do que nunca as conseqüências disso. São exigentes com elas mesmas na forma como criam, educam e auxiliam no desenvolvimento dos seus filhos. Ao mesmo tempo sofrem com que hoje em dia é chamado de "patrulha social", ou seja, quando a própria sociedade aponta o dedo e qualifica quem são mães boas ou ruins. Diante disso muitas se perguntam: quais atitudes qualificam uma boa mãe hoje em dia?

Para aquelas que sofrem essa pressão, Denise M. Molino, psicoterapeuta e especialista em Psicologia Clínica lembra algo muito importante. "É um erro exigir a perfeição, pois criar filhos é uma demanda imensa, desfio para o corpo e o psiquismo de qualquer mulher que vai optar por repetir a criação da sua mãe ou então usar o próprio jeito de lidar com os filhos". Já Heloísa Schauff, psicóloga clínica especialista em Terapia de Casal e Família, ressalta que mãe perfeita não existe é algo apenas idealizado pelas mulheres.

"Mães têm dores, amam, odeiam, nutrem, curam, assopram, acalentam, protegem o sono, brincam e suspiram aliviadas quando há saúde. O que os outros querem mais dessa mulher? Cada uma vai viver tudo isso de um modo muito particular. Há também vários fatores que influenciam na criação dos filhos - se a vida amorosa é boa, se ela recebe apoio ou então está só...", defende a psicóloga.

Em busca do melhor para seus pequenos, muitas mulheres abandonam os próprios desejos, carreira e projetos. E dessa maneira cobram mais dos seus filhos, que eles respondam da mesma forma, com um bom desempenho escolar, boa alimentação e saúde. E se tudo não acontecer de forma correta se perguntam qual foi o erro cometido.

"Mesmo para as que optam por não trabalhar fora de casa, os compromissos com os filhos são tantos que ainda elas também têm dificuldades de sentir o "dever cumprido", entrando em cena a sensação de sempre estar devendo algo", opina Schauff.

As duas profissionais deixam claro que certos sacrifícios não fazem delas mães melhores. Elas devem dar o melhor de si mesmas e aceitar os seus erros, seus limites, além disso, e dividir as tarefas com o pai, sem achar que a responsabilidade é somente delas, embora isso esteja mudando, pois muitos homens já estão mais presentes e buscam dividir a empreitada durante o desenvolvimento dos pimpolhos.

Na opinião da psicoterapeuta é justamente nas várias formas de se educar que cada filho percebe com naturalidade como é a personalidade e a sabedoria daquela mãe. "Excessos de regras pode ser perigoso a ponto de coibir o que aquela mulher tem de mais seu, natural e profundo", acrescenta. Já Denise lembra que o excesso de cuidados, principalmente entre as mães que cumprem a risca todos os protocolos, muitas vezes faz com que elas se atrapalhem entre os sentimentos de amor e perfeição.

"Elas temem um contato mais próximo, tocam pouco a pele, sorriem pouco, seguram não segurando. Todo filho vive do investimento que seus pais fazem a seu respeito, principalmente o amoroso", ressalta. Essa pressão em ser a melhor mãe do mundo causa ansiedade e a falta de tempo. A conseqüência disso é o estresse, e não uma interação gostosa e tranqüila com os filhos.

"Em minha experiência clínica, vejo muitas crianças e adolescentes comentarem que a mãe é muito estressada e pega no pé. Muitos deles gostariam de ter mais a companhia delas, sem tantas cobranças. Eles queriam poder conversar mais, rir juntos", aponta a pisicoterapeuta. Segundo Heloísa, a proteção deve ocorrer na medida certa, respeitando a idade dos filhos e seu estágio de desenvolvimento. "É se sentindo segura que a criança vai se tornando mais autônoma e responsável. Proteger demais gera infantilidade, medo e insegurança". Quando os filhos já começam a trilhar os próprios caminhos, as mães devem estar preparadas e saber sair da vida deles, depois de conversar e escutar as experiências, afinal, não existe a tal receita do bolo.

Acima de tudo, o importante mesmo é ser uma boa mãe. "É priorizar os filhos quando eles realmente precisarem e não dar exclusividade a eles o tempo todo, abandonando sua própria vida, mostrando-se a eles como uma pessoa real, com anseios, necessidades e projetos pessoais", aconselha Helóisa. Ainda segundo a psicóloga, boas mães, e não perfeitas, são espontâneas e quando estão juntas com seus filhos estão por inteiro.


Ao mesmo tempo em que sabem lidar com as obrigações, boas mães vivem momentos de prazer e satisfação. "São tolerante com suas limitações e procuram ser felizes assim, pois quando estamos felizes, lidamos melhor com os acontecimentos e com a forma de nos relacionar com as pessoas". É sem dúvida o melhor exemplo que elas podem passar aos seus filhos.

Por Juliana Lopes

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