Minha filha vai apresentar o seu primeiro namorado, e agora?

Minha filha vai apresentar o seu primeiro namorado

Foto: Samantha Mitchell/Image Source/Corbis

Sua menininha cresceu e chegou a hora de ela levar o primeiro namorado para vocês conhecerem. Esse é um momento apreensivo para muitos pais. Eles sabem que um dia os herdeiros vão crescer, que essa hora vai chegar e que eles terão que enfrentar a situação com naturalidade.

Perceber que sua filha já está voando com suas próprias asas não é uma tarefa muito fácil, por isso alguns pais até rejeitam o fato dela já estar namorando. É claro que com tudo isso o clima tenso dentro de casa, criando os mais diferentes conflitos.

"O primeiro relacionamento é um momento importante para a filha, pois ela está se colocando no mundo dos "adultos" e assumindo publicamente que gosta de alguém. É um momento bastante delicado e os pais devem apoiar e orientar. Quanto mais diálogo, mais poderão participar desse momento e mais saberão sobre o que acontece", explica Jéssica Fogaça, psicóloga infantil comportamental.

O maior medo de uma filha nessa hora, pode ter certeza, será a bateria de perguntas que os pais vão fazer. Eles não estão errados em perguntar, pois é o primeiro relacionamento da princesinha deles.

"Os pais podem perguntar sobre o que a filha está sentindo, pensando. O importante é manter o foco nela, que é a filha deles e está sob os cuidados deles. Perguntas que deixarão os pais mais tranquilos são válidas, principalmente se virarem diálogos. Eles podem contar sobre sua história de relacionamento, o que ajuda a fortalecer o vínculo familiar. Detalhes sobre o relacionamento devem ser evitados, claro", conta Jéssica.

E também podem ter certeza: o maior medo do seu futuro genro será a lista de temidas perguntas. Então os pais devem prestar muita atenção no que vão perguntar, para não acabar machucando o recente casal de pombinhos.

Segundo a psicóloga o mais adequado é perguntar sobre os interesses, os sonhos, a família do rapaz, a fim de conhecê-lo, de entender melhor quem é aquela pessoa por quem sua filha se apaixonou. O foco é descobrir suas qualidades, porque foi isso que a filha viu nele.

O príncipe encantando da sua querida filha começará a frequentar sua casa, então cuidado para não participar demais do namoro. Esse é um dos principais erros dos pais. "A melhor maneira de estar por perto é apoiar e orientar a filha, permitindo que ela tenha essa experiência que é tão importante para todos. Manter um diálogo aberto, mais respondendo às questões do que fazendo perguntas, compartilhando suas histórias e dando modelos adequados", pontua psicóloga.

Outra dúvida frequente de toda mãe é na hora de a filha sair com o namorado. A mãe precisa avisar a ela que quem deverá pagar a conta será ele? Jéssica conta que a questão de quem paga a conta depende muito da criação e dos valores de cada um. "Hoje em dia é muito comum que cada um paga a sua parte", lembra.

Alguns pais ainda evitam conhecer a família do garoto, com medo que o namoro fique mais sério e acabe terminando em um casamento antes da hora. Mas, na verdade, a melhor coisa é conhecer a família que sua filha também vai frequentar.

De acordo com a psicóloga quanto mais informações os pais tiverem sobre o namorado e sobre sua família, mais tranquilos ficarão. Então, vale muito a pena. E a filha entenderá isso como um cuidado dos pais em relação a essa nova fase de sua vida. É um sinal de interesse e respeito.

Diálogo, sempre!

Mas afinal, na visão dos pais, o que eles realmente pensam sobre o primeiro namorado de suas filhas?

Miriam Rodrigues, mãe de uma adolescente de 15 anos, conta que levou o primeiro relacionamento de sua filha numa boa. "Eu já esperava o namoro uma vez que eles eram amigos e conversavam todos os dias. Quando resolveram namorar, me chamaram e me informaram, então participei de tudo diretamente", lembra.

A mãe defende que conversar é o melhor remédio para esse tipo de situação. "Sempre falamos sobre tudo, inclusive sobre relações sexuais. Sempre aconselhei a ter cuidado com os sentimentos para que não se machucasse. Com o namorado da minha filha sempre tive um bom relacionamento também e conversávamos de tudo, desde escolha profissional até coisas sentimentais e familiares", explica Miriam.


E conclui: "Apesar de sentir um pouco de ciúmes sempre deixei bem claro que num relacionamento não é permitido brigas, desrespeito e cobranças mútuas. Falo para minha filha que um namoro é para ser uma felicidade."

Por Marisa Walsick (MBPress)

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