Minha filha briga na escola, e agora?

Briga na escola

Foto: Robert Niedring/Westend61/Corbis

Brigas entre crianças já são super delicadas de resolver, mas se os desentendimentos são entre as meninas, principalmente entre cinco e seis anos, o alerta vermelho acende e precisamos agir com toda a cautela. E quando as garotinhas resolvem se meter em discussões de gente grande, como os pais lidam com esse tipo de situação?

Teresa Ruas, especialista e consultora de desenvolvimento infantil da Fisher-Price, aponta que o perfil das garotas é mais social: "Vários estudos na área do comportamento humano mostram o quanto a menina tem mais facilidade de se portar em grupo, de conviver bem em atividades grupais, de ser mais receptiva e, portanto, menos competitiva", afirma.

Mas o ambiente, o contexto social, a criação e as fases transitórias que acontecem na vida das crianças - e de todos nós - é o fator mais marcante na hora de decidir quem será mais briguenta. "Por mais que existam pesquisas afirmando as diferenças entre os gêneros, não podemos desvincular a influência do ambiente no qual a criança está inserida", explica a profissional.

Segundo ela, a faixa entre os cinco e os seis anos de idade é uma fase na qual a criança está internalizando e assimilando importantes valores morais, como respeito, solidariedade, justiça, igualdade, fraternidade etc. Nessa época, deixa-se de lado o egocentrismo para compreender a "lógica" de se colocar no lugar do outro. Mas, mesmo assim, é comum que as pequenas se agrupem em "panelinhas" nas quais se identificam, sentindo-se acolhidas e respeitadas.

Quando tudo começa....

"Neste processo podem surgir os apelidos, atitudes de exclusão e comportamentos como os tapas e empurrões. Mas atividades grupais que ‘misturem’ os diferentes grupinhos, com dramatizações e atividades teatrais para vivenciar diferentes papéis ou situações cotidianas, jogos para vivenciar regras e normas sociais e vivências em roda para conversas e diálogos são recursos em potencial para a aprendizagem de atitudes acolhedoras e que respeitem as diferenças", esclarece Teresa.

A função dos pais também é muito importante, principalmente em ajudar a desvendar fatores ambientais ou transitórios como, por exemplo, o nascimento de um irmãozinho, a perda de um ente querido, brigas entre os pais, divórcio, mudança de casa, cidade ou país, extrema permissividade dos genitores entre diversos outros. E nada melhor do que o sincero diálogo entre pais e educadores para que, juntos, possam fazer a melhor criação possível da criança.

Diálogo, sempre!

Mas não se equivoque em rotular sua filha como agressiva, pois isso pode fazer com que ela se torne fonte ou foco de mais agressões. "Pais e educadores devem intervir sempre que testemunharem uma situação de agressão e o ensinamento das regras e normas de convívio social deve ser feito imediatamente após ou durante o ocorrido", aconselha a especialista. Mas nunca faça uso de violência, pois só gerará mais agressividade, ansiedade, baixa autoestima e insegurança na criança.

Não se esqueça que tapas, empurrões, apelidos e briguinhas entre amigas sempre ocorreram no ambiente escolar. "Hoje, todas estas atitudes receberam um nome e um patamar científico, mas a interferência do educador diante de atitudes excludentes, discriminatórias e agressivas também sempre tem que ocorrer no ambiente escolar", completa Teresa.

Talvez a falta de atenção e de acompanhamento diante de situações como estas, juntamente com a permissividade dos pais, sejam um dos principais fatores que potencializam a falta de respeito e de atenção com o outro atualmente. Seja a confidente de sua filha e ficará muito mais fácil resolver todas essas questões de aprendizado.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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