Meu filho está apaixonado?

Meu filho está apaixonado

Há alguns meses, Mariana percebeu que o filho Lucas, de 6 anos, mudou um pouquinho as atitudes com relação a uma coleguinha da sala de aula. Ele nunca chegou a dizer que a garota era sua namoradinha, mas já assumiu que gosta da menina e sempre fala dela com um sorriso no rosto. Na festa junina da escola, a tal menina faltou à dança. Foi o suficiente para Lucas, visivelmente sentido, dançar com a nova parceira de cara feia. Quando fez um desenho todo especial para a menina, ficou bem triste ao saber que ela, envergonhada, jogou a pintura fora.

Mas será que Lucas está mesmo apaixonado pela amiga? Mariana percebeu no filho uma timidez diferente, que não existia antes. “Me parece que fica envergonhado quando ela se relaciona com ele. Mas continua alegre, levado, ativo”, diz a mãe. “Na escola existem comentários de que o sentimento seja recíproco”.

O psicólogo Ricardo Zini, da Clínica Viva, de Carapicuíba, diz que, nessa faixa etária, é esperado que a criança comece a conhecer e apreender o mundo que a cerca. Ela começa também a perceber que é separada de seus pais e não é mais o centro do mundo. “Existem as primeiras descobertas com relação ao seu corpo, não exatamente no sentido sexual, e sim naquilo que lhes proporciona algum prazer, sem a malícia, mas por curiosidade”, explica.

Nessa época é difícil que o sentimento seja mesmo paixão, do jeito que os adultos conhecem. Mas segundo Ricardo, já perto dos 5 anos as crianças podem desenvolver uma admiração especial por alguma pessoa mais velha, artista, cantor ou ator, por exemplo.

O psicólogo explica que o amor ou paixão com relação ao sexo oposto é esperado entre 10 e 11 anos, quando a criança começa a perceber as diferenças entre os dois sexos. “É a fase onde as mudanças no corpo de ambos começam e a curiosidade fica mais intensificada. A partir daí, é comum que queiram partir para maiores descobertas e experiências”, diz. Ele alerta para que, após os 13, os pais redobrem o cuidado e abram espaço para muita conversa.

O que os pais como Mariane devem fazer é ouvir sempre o que os filhos têm a dizer, com relação a dúvidas e medos. “Zombar ou menosprezar o sentimento não é bom, pois pode causar embaraço, frustração, tristeza e isolamento. Brigar só tende a piorar as coisas”, alerta. E é isso que Mariane tem feito. “Digo sempre a Lucas que ele deve ver a coleguinha como uma amiga igual às outras. E, que se há um carinho maior por ela, é normal. Mas ele só saberá o que é estar apaixonado de verdade quando for bem mais velho”, conta.


Mariane diz ainda ao filho para não se preocupar, no caso de não receber a atenção desejada dessa amiga especial. E ela sabe bem o que fala. Aos 7 anos, achava que tinha dois namorados na escola.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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