Meu filho é gay?

Meu filho é gay

Foto: Photostock

É cada vez maior o número de pessoas que assumem ter uma orientação sexual diferente da maioria. Embora o número de homens e mulheres que "saíram do armário" tenha crescido no país, isso não significa que esta situação seja mais fácil para os pais e os próprios gays.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), divulgados em abril de 2011, o número de brasileiros que disseram morar com um cônjuge do mesmo sexo é de 60.002, ou seja, 0,03% da população. A maioria deles está na região Sudeste, 0,04% e a minoria no Norte, apenas 0,021%.

Pessoas envolvidas com as campanhas de combate ao preconceito afirmam que uma pessoa não se torna homossexual, o correto é que ela nasce com esta orientação e identidade sexual. Desta forma, adultos gays foram crianças gays. "Uma criança que virá a se assumir um adulto homossexual pode ou não demonstrar atitudes diferentes do esperado durante a infância", diz Edith Modesto, terapeuta, especialista em diversidade sexual e questões de gênero e fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais.

Quando uma pessoa dá sinais de homossexualidade ainda na infância é mais fácil os pais notarem que têm um filho gay. "Os pais que percebem a orientação sexual do filho cedo costumam ter mais facilidade de aceitação", diz Edith que é mãe de um homossexual de 42 anos. "Eu soube que meu filho era gay quando ele tinha 19 anos, naquela época não havia informações sobre o assunto como há hoje. Foi um tempo difícil. Nós superamos aquele primeiro momento de desinformação e hoje somos muito amigos", conta.

A terapeuta do grupo diz que o melhor que a mãe pode fazer é não negar as evidências e procurar aceitar o seu filho, afinal este é o papel dos pais. "Sempre digo para as mães que sabem da orientação sexual de seus filhos que conversem com eles. Tudo o que estes jovens mais querem é que eles sejam aceitos e amados da forma que são", garante Edith. "Eu converso com centenas de jovens por mês, muitos deles chegam até mim chorando, dizendo que sentem vontade de revelar a verdade, mas que sentem medo de perder o amor dos pais", completa.

Edith Modesto compara a descoberta da homossexualidade de um filho a um luto. "Quando uma mulher está grávida ela pensa em diversas possibilidades. ‘Será que meu filho vai ser menina? Será que vai ser inteligente? Será que vai ter os olhos do pai?’ Porém, mãe nenhuma se pergunta: será que meu filho vai ser gay? Dessa forma é como se o filho esperado tivesse que morrer para que possamos aprender a amar o filho real", compara.

Outro fator apontado pela fundadora do grupo diz respeito à necessidade de se encontrar responsáveis pela situação, esquecendo que não há. "Há mães que passam a culpar os amigos do filho, a internet, os colegas de escola ou até mesmo associam a questões de saúde psicológica. Como meio de reverter à situação, os pais passam a proibir o filho de sair com os amigos, falar ao telefone, navegar na internet e até de ir ao colégio. Isto acaba sendo uma tortura para o adolescente", aponta Edith.


O melhor que mães e pais têm a fazer é procurar ajuda psicológica para superar a dificuldade inicial desta fase. "Quando uma criança, por exemplo, sofre preconceito na escola, volta para casa e chora para a mãe, esta imediatamente vai ao colégio tirar satisfações e exigir um posicionamento da diretora. Porém, a criança gay dificilmente tem esta oportunidade. É preciso que os pais se tornem um porto seguro para seus filhos", finaliza.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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