Meninos têm mais facilidade com matemática?

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Meninos têm mais facilidade com matemática

Assim como muitos colegas de escola, Artur Maqueda Alvarez sempre teve facilidade em Matemática. Apesar de não ser apaixonado por matérias exatas, o estudante lembra que gostava de brincar de somar e dividir desde criança.

E, pelo jeito, esse gosto e maior afinidade pelas ciências exatas não é privilégio de alguns garotos. Quando pequenos, muitos deles se dão melhor nessa área, e, ao se tornarem adultos, preferem carreiras e cursos que envolvem raciocínio lógico, como Engenharia e Economia.

O que já podia ser observado no dia a dia foi reforçado por uma pesquisa realizada com 247 alunos do Ensino Fundamental na cidade americana de Seattle, no estado de Washington. Foram ouvidos 126 meninas e 121 meninos, que curiosamente relacionaram palavras ligadas a Matemática aos garotos e elementos ligados às linguagens, às garotas.

E qual seria a explicação para essas conclusões? Especialistas acreditam que existam dois fatores que influenciaram o resultado da pesquisa. O primeiro - pasme! - tem a ver com o cérebro. "O cérebro masculino tem por conformação algumas diferenciações do cérebro feminino, o que determina facilidades diferentes em etapas diversas do desenvolvimento. Isso confere aos meninos maior habilidade para matemática, números, orientação espacial", explica a psicopedagoga Maria Irene Maluf.

O segundo fator que diferencia os gostos de meninos e meninas pelas diferentes áreas de aprendizado é basicamente cultural. Desde crianças, meninos e meninas costumam receber brinquedos, objetos e tratamentos diferentes. Enquanto eles ganham um mini conjuntinho de ferramentas, elas adoram uma lousa e são estimuladas a expressar sentimentos por meio da linguagem, por exemplo.

Essa distinção entre os gêneros é comum à nossa sociedade, e pode inclusive interferir na maneira como eles ou elas verão o mundo. Para Artur, tudo na vida tem muito de matemática. "Apesar de não percebermos, usamos essa ciência constantemente. Eu, por exemplo, adoro música. Os próprios instrumentos são compostos de elementos matemáticos."


Apesar das conclusões do levantamento, nada impede que meninos se deem melhor com linguagens, ou meninas com matérias exatas, como observa Maria Irene. "Os dados não significam muito na avaliação final do processo educativo, como a experiência nos mostra, mas podem ajudar a compreender as diferenças entre eles na infância, principalmente."

No processo de conhecimento e afinidade pelas matérias da grade escolar, a didática dos professores pode significar o gosto ou rejeição por uma disciplina. "Um bom professor sabe que, se usar uma única forma de trabalhar com seus alunos, vai afastar ao menos uma parte deles, pois nem todos aprendem da mesma forma", diz a especialista. "Os professores mudam a vida acadêmica de seus alunos quando procuram compreender a forma como seus cérebros aprendem melhor: por isso hoje se estuda a neurodidática", completa.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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