Meninas violentas: um triste reflexo na sociedade

Meninas violentas um triste reflexo na sociedade

Foto/ Dreams Time

Pesquisas revelam que as meninas adolescentes são tão agressivas quanto os meninos. Além disso, 15% das mulheres que começam a brigar na adolescência viram criminosas na fase adulta. O tema voltou a ser assunto na mídia após o assassinato de uma estudante de 15 anos, a facadas, na porta de uma escola no Paraná. As suspeitas do crime são outras jovens da mesma idade.

Uma das suspeitas afirmou que a vítima zombava das roupas e das trancinhas delas e isso teria motivado o crime. A especialista em comportamento humano, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, durante o programa Mais Você da rede Globo, explicou que esse é um problema de todas as classes sociais, mas que pode variar entre formas físicas e a verbais, baseada em chantagens e ameaças.

Casos de meninas violentas deixaram de ser isolados. Em BH meninas na faixa etária dos 12 aos 15 anos chamam a atenção nas estatísticas respondendo por 15% mais ocorrências de infrações do que os meninos da mesma idade. Os dados são do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional.

Também os relacionamentos entre jovens estão mais violentos, neste caso, a paixão e violência podem andar de mãos dadas. A pesquisa "Violência entre namorados adolescentes: um estudo em dez capitais brasileiras", realizada pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves) da Fundação Oswaldo Cruz, aponta que as jovens têm mais batido do que apanhado de seus companheiros.

De acordo com a pesquisa 24,9% dos rapazes informaram sofrer mais violência física do que as moças, 16,5%. E 28,5% delas informaram agredir fisicamente seus parceiros, contra 16,8% dos meninos. 24,1% das mulheres confessaram já ter dado tapas ou puxado o cabelo, empurrado, sacudido, chutado, dado um soco ou jogado algo em cima do companheiro. Entre os rapazes o índice cai para 19,6%. Foram entrevistados para esta pesquisa 3.205 adolescentes entre 15 e 19 anos, de 104 escolas públicas e particulares em 10 capitais brasileiras.

A pesquisadora Queiti Batista Moreira Oliveira participou do estudo e conta que há pouca diferença entre meninos e meninas no quesito agressão. "As meninas relataram sofrer mais violência de seus parceiros em situações de conflito, mas também relataram agredir mais seus parceiros nestas situações", afirmou. Porém, ela ressalta que as agressões por parte das meninas não alcançam a mesma gravidade das cometidas pelos garotos. Mas, segundo eles, as palavras doem mais que tapas e socos. As pesquisas ainda apontam a relação da agressividade com fatores de violência psicológica na família.


Outras pesquisas a nível internacional apontam que as meninas são também as mais frequentes automultiladoras, sendo grande o número das que se cortam, ferem ou machucam. Por que será que isso acontece? Dê nos a sua opinião.

Por Catharina Apolinário

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