Medos Infantis

Medo Infantil

Medo de escuro, de bicho-papão ou do monstro que está embaixo da cama, quem não passou por isso na infância? À primeira vista, o medo pode representar algo ruim, mas imagine: sem os medos que carregamos ao longo da vida não conseguiríamos ter uma vida saudável e estável, nem mesmo ligaríamos para o nosso futuro, e iríamos morrer muito jovens.

Logo nos primeiro meses de vida, o medo já se faz presente. A psicóloga Regina Elia lista quais são os mais comuns em várias fases do crescimento:

Do nascimento aos 18 meses: os bebês nos mostram que ainda não têm consciência de sua individualidade. Eles vivem os medos da mãe, pois ainda não se separam dela.

A partir do sétimo ou oitavo mês: já começa a se diferenciar, portanto a criança fica atenta ao que acontece nela. É a fase em que a criança manifesta medo do estranho, porque se reconhece separada da mãe e tem medo de se perder, de ser levada, ou de ser abandonada.

Entre os 18 e 36 meses: é a fase dos medos do escuro - se for o caso, deixe sempre um abajur - medo de água, medo de palhaço. Para isso, uma boa dica é construir bonecos de papel ou comprá-los para montar na frente da criança. É uma fase de medo de coisas bem concretas. Muitas vezes, a criança associa situações. Por exemplo, ter medo de tomar banho, pode estar ligado ao medo de ir embora pelo ralo, como a criança vê a água sair por ele.

Dos 3 aos 5 anos: fantasia e realidade se confundem. A própria criança não tem condições de discernir se o que vê, sente, ouve, é fantasia ou realidade. Nessa hora, o mais indicado é participar da fantasia dela e ajudá-la. Diga a verdade, que não está vendo, e mostre a realidade. Cheque o quarto junto com ela, debaixo da cama com uma lanterna, e deixe a criança segura, assim você dá noções de realidade sem desqualificar seus medos.

A partir dos 6 anos: os medos nesta fase começam a ser os medos iguais aos dos adultos. Podem ser os medos urbanos - sequestros, violência, pedofilia, etc. Devemos ajudar a criança a conhecer a realidade que a cerca, aos poucos.

Apesar dos medos infantis serem comuns, os pais devem ajudar ao máximo para que seus filhos não os desenvolvam. “Isso é possível evitando críticas, humilhações, castigos em excesso e desvalorização da personalidade da criança”, aconselha a psicóloga.

Quando a mente da criança desenvolve ódio, raiva ou angústia, ela cria seus “monstros” e “fantasmas”. Entretanto, mesmo aquelas que recebem muito carinho também desenvolvem seus temores. Regina recomenda que os pais sempre escutem o que ela tem a dizer e percebam que os pais estão ali para ajudá-la.

“Passado aquele momento não se deve ficar retomando o assunto, pois pode a criança usar isso como manipulação ou mesmo os pais tornarem este medo maior do que ele é”, acrescenta Regina.

Os pais também podem influenciar seus filhos com seus próprios medos, isso sem querer. “As crianças aprendem primeiro por imitação e repetição. Por mais que se tente negar, até os bebês são capazes de perceber a mudança, por exemplo, na mãe diante do medo. Sua voz fica tremula e seu corpo rijo”. Nessa hora, a psicóloga indica que os pais expliquem à criança que o medo é só deles, que isso não deve ser imitado.

“Os medos são transmitidos, são heranças genéticas com possibilidade de vir a desenvolver. Se temos a mãe medrosa ou fóbica e esta não fez nenhum tipo de tratamento, com certeza transmitirá seus medos ou fobia à criança”, explica.

Os medos só se transformarão em traumas se o fato se concretizar, ou seja, quando a criança tem medo de ser sequestrada e é. “Neste caso é fundamental procurar um psicólogo”. Do contrário, deixe sempre claro para seu filho que é preciso conviver com os medos e enfrentá-los.

Veja também - Crianças agressivas

Por Juliana Lopes

Comente

Assuntos relacionados: filhos crianças medos trauma fobia