Mamadeira e parto cesárea podem elevar obesidade infantil

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Dois estudos lançados recentemente por especialistas levantam outros fatores que podem levar a obesidade infantil, a alimentação por mamadeira nos primeiros meses de vida e a cesariana. No domingo, dia 3, é o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, problema que tem preocupado médicos e pais em todo o mundo.

Na edição de maio do periódico "Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine", dos EUA, um estudo mostra que crianças que foram alimentadas exclusivamente no peito ganham até um quilo a menos no primeiro ano de vida dos que são alimentados só com mamadeiras, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Os pesquisadores acompanharam 1.900 crianças desde o nascimento até completarem 1 ano, estudando a relação entre as formas de alimentação e o ganho de peso. Nesse período, comprovaram que as crianças alimentadas com mamadeira, seja com leite materno ou não, ganharam 85 gramas a mais por mês; enquanto que as amamentadas no seio, ganharam 50 gramas no mesmo período.

Segundo os pesquisadores, isso pode ser explicado pelo fato de que as crianças, quando mamam no peito, decidem quando estão satisfeitas. Por outro lado, as que tomam leite na mamadeira, ao se submeterem à quantidade do líquido no suporte e serem menos ativas nessa decisão, podem perder parte da sensibilidade aos sinais do organismo que indicam saciedade e fome.

A opção pelo parto cesárea também pode aumentar o risco de obesidade infantil, é o que aponta pesquisa publicada no final de maio, na revista pediátrica "Archives of Disease in Childhood". A equipe avaliou 1.255 bebês nascidos em oito maternidades de Massachusets, entre 1999 e 2002. Desses, 284 bebês nasceram por cesárea, e 971, por parto normal.

Do grupo de nascidos por cesariana, 16% eram considerados obesos aos três anos de idade - mais que o dobro da taxa entre nascidos por parto natural, de 7,5%. A explicação estaria na diferença entre as bactérias do intestino que bebês adquirem durante o parto normal e o cesáreo.

De acordo com os médicos, as mães que fizeram o parto cesariano tinham, em média, mais peso do que as outras e seus bebês também eram mais pesados ao nascer. Elas também amamentavam por menos tempo. Mas mesmo descontando esses fatores, a tendência à obesidade se manteve.

As estatísticas apontam que a obesidade infantil é a que cresce mais rapidamente no Brasil. O cenário agravado por mudanças nos hábitos alimentares, ampla oferta de produtos hipercalóricos e menos atividades físicas nas horas de lazer.

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do IBGE, indicam que, em 20 anos, os casos de obesidade mais do que quadruplicaram entre crianças de 5 a 9 anos, chegando a 16,6% (meninos) e 11,8% (meninas).


Quando se consideram também as crianças com excesso de peso, o problema é ainda mais alastrado. De 1989 para 2009, o sobrepeso mais do que dobrou entre meninos, e triplicou entre meninas. Hoje, um em cada três meninos e meninas de 5 a 9 anos está acima do peso normal para a idade. O fenômeno é grave também entre pessoas de 10 a 19 anos, faixa de idade em que o excesso de peso gira em torno de 20%.

Por Carmem Sanches

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