Mães que criam seus filhos com consciência ecológica

Mães que criam seus filhos com consciência ecológi

Fralda de pano. Foto: divulgação.

Você já pensou em criar seu filho usando produtos que agridem menos o planeta? Sabia que uma fralda descartável, por exemplo, leva de 450 a 600 anos para se decompor no solo e 450 anos no oceano? Pois é. Preocupadas com isso, algumas mães procuram alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente.

Luciana Ivanike é mãe de uma menina de quatro anos e espera a segunda filha. Ela conta que começou a se conscientizar a respeito da preservação da Terra há um ano e meio. "Eu e minha família adotamos alimentos orgânicos e dispensamos os industrializados (cheios de embalagens), separamos o lixo. Tudo isso porque não quero deixar de herança para minhas filhas lixo produzido de forma abundante e irresponsável", conta.

A educadora física Vivian Santos está na nona semana de gravidez e também pretende adotar produtos ecologicamente corretos com seu bebê. Além disso, ela acredita que todos devem usar esses itens. "Acredito que quando uma criança cresce com pais que se preocupam com o meio ambiente, ela consequentemente irá ter uma visão mais ampla sobre preservação", afirma.

Ela lamenta que não existam, por exemplo, fraldas biodegradáveis no país. "Hoje, no Brasil, os produtos ecologicamente corretos ainda são pouco acessíveis, porque a matéria-prima, a automatização e o meio de produção desses produtos são caros. Também não conheço alimentos orgânicos para bebês", diz.

A preocupação das mães é justa. Se considerarmos que um bebê usa aproximadamente 5500 fraldas durante os primeiros anos de vida, veremos que o prejuízo para o planeta é imenso. E, o mais surpreendente: o bolso também sai prejudicado nessa história. O valor médio da unidade de fralda descartável é R$ 0,70, o que, multiplicado por 5500, dá um total de R$ 3850. "Se utilizarmos apenas fraldas de pano, teremos uma economia de mais de R$ 2.800, pois serão necessárias apenas 65 fraldas, entre P, M, G e XG", afirma Elisa Dal Ri Rosso, da empresa Barriga de Pano.

Essa conta utilizou o valor das fraldas de pano da marca, cujo custo médio da fralda unitária no kit com 5 unidades é 15,64, o que, multiplicado por 65 fraldas (média necessária para criar um bebê), totaliza R$ 1016,60. Além disso, o produto promete praticidade, pois pode ir direto para a máquina de lavar e, já limpo, direto para uso da criança, sem precisar que alguém passe; também não precisam de fitas colantes ou calças plásticas, como era antigamente.

Tanto Luciana quanto Vivian pesquisam sobre produtos ecologicamente sustentáveis. A educadora física ainda está em dúvida se deve usar fraldas de pano ou não. "Para as fraldas de pano ficarem realmente limpas, precisamos usar tanto produto químico de limpeza que os rios acabam pedindo socorro quando lavamos as 50 unidades delas (mínimo necessário para manter um bebê)", afirma.

Talvez Luciana tenha achado uma solução interessante para tal problema. "Já considerei que terei que lavar as fraldas e gastarei mais água, porém temos a opção de usar sabão de coco, muito menos prejudicial ao ambiente. Como estamos elaborando um plano para higienização das fraldas, não precisaremos de uma lavagem completa da máquina para que elas saiam limpinhas", comenta. Isso porque ela vai colocar as fraldas sujas de molho no vinagre (usado nesse caso como amaciante), logo após o uso das mesmas.

Outro item a ser considerado é o conforto do bebê. "Mães que optam por fraldas de pano, seus bebês ganham em conforto: menos incômodos com assaduras e alergias", diz a empresária. Ela explica que o pequeno fica mais à vontade, pois a camada interna da fralda de pano é feita de algodão. A Barriga de Pano também oferece slings para carregar a criança e protetores para seios de tecido para o período de amamentação.

Elisa orienta que todos abram os olhos antes que seja tarde demais para preservar os recursos naturais terrestres. "Uma atitude valiosa para a preservação é o consumo consciente: sem dúvida a oferta de produtos para os bebês é muito tentadora, mas será que seu bebê precisa de 10 pares de sapatinhos tamanho recém-nascido, quando ele nem pára em pé", questiona.

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Vívian sugere formas de tornar a vida ecologicamente mais sustentável. "Se todos fizerem sua parte e reciclarem seu lixo, usar fontes de energias limpas e gratuitas (solar), reutilizar água da chuva, plantar árvores no quintal, reutilizar a água da máquina de lavar para lavar o quintal ou a calçada, levar sacola de pano ao supermercado, comprar produtos de empresas certificadas, com certeza teremos um planeta mais saudável."


Luciana já sabe o que vai responder quando as filhas perguntarem por que comem frutas e biscoitos caseiros quando as outras crianças se alimentam de bolachas e salgadinhos artificiais. "Saberei explicar que, além de todos os produtos que fazem mal, aqueles salgadinhos e bolachas têm um pacote que levará séculos para ser decomposto, e que isso não é legal para a terra que nos alimenta e abriga", afirma, orgulhosa.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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