Mães opinam sobre a Lei da Palmada

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Além da Copa, outro assunto que tem virado polêmica e tem gerado inúmeros debates é a aprovação da Lei da Palmada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que prevê punições para agressões físicas a crianças.

O caso ganhou destaque depois que uma mãe foi afastada do filho por ter batido no rosto do menino de oito anos, em um restaurante de Porto Alegre. Um cliente fez a denúncia e, agora, o garoto está sob os cuidados da avó.

A mãe diz que não tinha intenção de bater nele, apenas tirar a ripa da mão do garoto, que estava acertando a avó. Será que um caso como este deve ter uma resposta tão radical para quem educa?

Regina Ricci, mãe de Lucas, de nove anos, acredita que travessuras como esta devem ser repreendidas. "sou a favor sim de dar umas palmadas no bumbum, não no rosto, quando passa do limite. Veja bem, tapinhas e não surras. Hoje, as crianças tendem a testar seus pais, coisa que na minha época, minha mãe apenas olhava pra mim e eu já entendia aquele olhar. Levei muitas palmadas e isso não me fez uma pessoa rancorosa."

A lei aprovada, que inclusive contou com a presença de Xuxa Meneguel na Câmara, em Brasília, pretende dar uma punição mais severa para quem extrapola os limites de como educar seus filhos e acaba partindo para surra como forma de lição.

O documento apresentado pelo projeto "Não Bata, Eduque" apresentou diversos argumentos a favor de uma lei contra castigos físicos e tratamentos humilhantes a criança, entre eles a questão sobre os reais danos causados pela palmada. "Elas podem não causar danos no desenvolvimento pessoal e emocional de algumas crianças e adolescentes, porém não acreditamos que provocar dor ou medo seja a melhor opção que o diálogo, a negociação e a restrição de privilégios que são instrumentos educativos e de estabelecimento de limites."

Para Martha Gargantini, mãe de quatro filhos (Matheus, Gabriela, Raquel e Luiza) uma lei como essa não pode ser eficiente. "Infelizmente por mais campanhas que façam sobre espancamento ao menor, não resolve. Quando acontece o desafio ao limite, na maioria das vezes a palmada mostra o limite."

Caso Bernardo

O caso Bernardo, morto pelo próprio pai, é um bom exemplo de que ainda esta lei precisa ser reavaliada. "Ele foi sozinho foi procurar ajuda. E o que aconteceu? Ninguém deu ouvidos ao garoto na época. Agora será que as pessoas que ele pediu ajuda também deveriam ser punidas conforme a lei? Porque a negligência também é uma forma de maus tratos. Não acredito que esta lei puniria as pessoas certas em todos os casos de denúncia", finaliza Regina.

Já para Carolina de Mônaco, mãe da Valentina de dois anos, não é favor da palmada como forma de educação. "Criança vai ser sempre criança. A educação vem de dentro de casa. Sou contra ameaças e fazer do tapa uma moeda de troca (se você não fizer tal coisa, vai apanhar). Acredito que para educar uma criança, o principal é ter paciência!"

Assim como Carolina e Regina, Renata Kao, mãe de Lis (nove meses), também recebeu algumas palmadas quando mais novas. "Tive uma educação muito rígida e intolerante, até pela cultura dos meus pais (oriental). Por um lado, a falta de tolerância, e o diálogo antes das palmadas marcou muito a minha infância de forma negativa. Por outro, acho que hoje em dia, os pais deveriam ser mais rígidos (e não agressivos)."


Nenhuma das mães entrevistas acimas concordam com o espancamento como forma de educação, mas acreditam, que assim como foram criadas, a criança testa a paciência dos pais e é nesta hora que você deve parar e avaliar se um tapinha no bumbum é a solução para seu filho entender e diferenciar o certo do errado.

Por Kelly Jamal

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