Mães homossexuais opinam sobre o kit anti-homofobia

Mães homossexuais opinam sobre o kit antihomofobia

Daiana Brunetto e Leo Ribas - mães que assinaram o primeiro contrato de união estável entre lésbicas no Brasil. Foto Reprodução Paraná Online

Desde o reconhecimento da união estável entre os homossexuais e o anúncio da distribuição do kit contra a homofobia, feito pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), muita discussão e até polêmicas giram em torno de qual a melhor maneira de explicar as diversidades sexuais às crianças.

Recentemente, o deputado federal Jair Bolsonaro, em resposta ao kit contra a homofobia, o qual ele apelidou de "Kit Gay", distribuiu panfletos, ao todo 50 mil, nas entradas e saídas do metrô em Copacabana, Rio de Janeiro, aos pais e alunos nas portas de escolas e às pessoas nos templos evangélicos. Neles, acusações como "Querem, na escola, transformar seu filho de seis a oito anos em homossexuais" são feitas a fim de proibir que os kits sejam entregues nos colégios públicos durante o segundo semestre deste ano.

Léo Ribas, articuladora estadual da Liga Brasileira de Lésbicas do Paraná, e Dayana Brunetto, mestre em educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizaram a união estável na última segunda-feira (09), tornando-se o primeiro casal de lésbicas registradas em cartório do Brasil. Dayana é mãe de Rafael, de seis anos.

O casal acredita que é muito importante falar sobre a sexualidade em geral com a criança, mesmo que ainda nova. Porém, ambas afirmam que o assunto deve ser abordado de um modo adequado e apenas respondendo devidamente às suas dúvidas.

"A maldade e o tabu existem nos adultos e nos pais, e não nos pequenos. Criança pergunta mesmo e quer saber a resposta. O que você precisa é dizer algo satisfatório, algo bem simples que supra a curiosidade do filho. O importante é sempre dizer a verdade, porque se você mente, ele vai perguntar para os amiguinhos e vai descobrir, de maneira inadequada, o que você não explicou", comenta a mestre em educação.

Léo acha muito importante que o assunto também seja abordado nas escolas, porque muitos pais, talvez por excesso de trabalho ou qualquer outro motivo, têm transferido boa parte da educação que deveria ser feita em casa para a escola. "Isso é um erro. O importante de abordar esses assuntos desde cedo é que, em casos comprovados, algumas crianças com quatro anos de idade já mostram uma postura transexual, por exemplo. De nenhuma forma isso deve ser tratado como uma doença, é preciso conhecimento para saber como lidar com a diversidade", acrescenta.

Quanto à discussão sobre crianças se "tornarem" gays ou lésbicas por influência de pais homossexuais, Dayana responde: "Para começar, é importante que saibam que ninguém se torna homossexual, a pessoa nasce assim e sente atração pelo mesmo sexo. Meu filho convive com a gente, entende que somos um casal de mulheres e, nem por isso será gay, muito pelo contrário, ele é bem hetero".

Léo finaliza: "Sobre essa influência, eu acho que não faz sentido. Tanto eu quanto a Day viemos de famílias heterossexuais e conservadoras, logo, nossos pais que são heterossexuais não nos influenciaram. Então, por que o contrário precisa acontecer?"

Sobre falar do assunto em casa, as duas afirmam que tudo sempre acontece com muita naturalidade. "A gente nunca escondeu a realidade dele. Somos um casal, moramos juntas e com ele", conta Léo. A mãe de Rafael acrescenta: "Assim como casais heterossexuais demonstram carinho em frente aos filhos, a gente também demonstra. Obviamente ninguém o expõe a nada que possa deixá-lo constrangido, mas ele sabe que temos um relacionamento".


Um estudo realizado pela Secretaria do Estado da Educação do Distrito Federal revela que 48,7% das crianças com menos de 11 anos não gostariam de ter um colega homossexual estudando na mesma classe. A pesquisa também mostra que 63,1% dos estudantes do Distrito Federal alegam já terem visto pessoas sofrendo preconceitos por serem - ou porque acharam que eram - homossexuais.

Por Carolina Pain (MBPress)

Comente