Mães fazem ensaio sensual para garantir transporte escolar dos filhos

Mães “nota 10”

Foto: Divulgação

Em 2003, uma história real ganhou as telas: no filme "Garotas do Calendário", 12 senhoras de uma associação decidem fazer um calendário para ajudar um hospital local. A causa nobre foi contestada por muitos moradores da região pelo fato de as mulheres terem sido fotografadas sem roupa.

Uma iniciativa semelhante, desta vez em prol da educação, foi repetida este ano. Não ganhou as telonas, mas a repercussão deu bons resultados. Para evitar que o governo cortasse o transporte escolar dos alunos de Vila de Monserrat, no interior da Espanha, um grupo de mães resolveu tirar a roupa e montar um calendário para arrecadar fundos e evitar que os filhos ficassem sem aula.

Este gesto prova que uma mãe é capaz de tudo pelos filhos, mas até que ponto esta iniciativa especificamente está dentro dos limites? A psicóloga Luize Garé não acha que a ação deve ser reprovada, uma vez que essas mães contaram com o apoiaram da família. "Elas não estão indo contra seus valores, pois as que não quiseram participar, não o fizeram."

Luize comenta ainda que situações como essas dão exemplo de união familiar, de preocupação com o próximo e de altruísmo. "É saudável que os pais façam o que acharem necessário pelos filhos, sempre tomando o cuidado de não ferir seus princípios ou constranger e ofender os familiares", diz. "Lembro ainda que estes atos não podem prejudicar os filhos. Às vezes os pais acham que estão fazendo um bem, quando na verdade o efeito é contrário", completa.

A psicóloga do Colégio Viver, Ilana Joveleviths, também acha que a ação das mães da Vila de Monserrat está dentro dos limites, apesar de que, talvez, esta não seja a forma mais eficaz de protesto. Isso porque, possivelmente, sua forma gerou mais repercussão do que os motivos que levaram à manifestação.

"Ainda assim, um protesto pacífico e que se utiliza de recursos legítimos como o próprio corpo é justificável, mesmo quando se trata dos filhos", diz. "O importante é que as mães que se dispuseram a isso sejam coerentes com os valores transmitidos aos filhos ao longo da vida, pois, dessa forma, haverá possibilidade de diálogo e compreensão", completa.


Muitos alunos aprovaram a iniciativa e alguns até contribuíram comprando o calendário. Segundo Ilana, as reações dos filhos nessa ou em qualquer situação depende da formação, da possibilidade de diálogo e da convivência familiar. "Esses filhos que acharam a iniciativa legal possivelmente possuem condições de entender que suas mães estavam defendendo uma causa maior. A lição que eles podem tirar desse caso é que, em uma democracia, é possível protestar e lutar de diversas formas pelo que se acredita", explica a psicóloga.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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