Mães contratam pais de aluguel para cuidar das crianças

Pais de aluguel

Criar um filho sozinha não é tarefa simples e nem todas as mulheres estão dispostas a passar por essa situação. Além de arcar com as despesas, há também a falta de uma figura paterna, cujo paradeiro será questionado pela criança mais cedo ou mais tarde.

As mães solteiras, pelo menos as russas, que não têm por perto uma figura masculina, como um irmão ou avô, podem alugar um pai. É isso mesmo! Agências especializadas em profissionais de serviços domésticos já estão oferecendo o serviço.

A diária desse profissional custa entre R$ 230 e R$ 345. Entre as atividades estão passar um fim de semana e brincar com as crianças, levá-las ao cinema e ajudá-las a fazer a lição de casa. As mães contratantes também se beneficiam, já que os pais de aluguel colaboram com as atividades domésticas.

A iniciativa divide opiniões. Para a terapeuta familiar Roberta Palermo, este serviço não seria bem visto por aqui. "No Brasil não temos o hábito de contratar um homem para ficar com uma criança. Há muito receio de pedofilia e abuso sexual. Até mesmo nas escolas, contratar um professor do sexo masculino para a educação infantil pode ser uma ideia que os pais não aceitem", disse.

Outro problema, na opinião de Roberta, é a criança chamar este funcionário de pai. "Esse homem seria ‘uma babá’. Não há necessidade de substituição e sim de a mãe conscientizar o filho de que essa é a sua realidade", explica. Sobre o trabalho da agência, a terapeuta comenta: "Não é adequado mandar um funcionário diferente a cada requisição. E é fundamental um ritual de despedida, caso esse profissional deixe de prestar serviço para a família."

Para que a criança tenha contato com uma figura paterna, é comum as mães solteiras darem a oportunidade de elas conviverem com os avôs, tios e outras figuras masculinas próximas. "Se a presença de um cuidador homem tiver o objetivo de fazer com que a criança conviva com uma figura masculina desde bebê, tudo bem, desde que ela não se refira a ela como pai", diz a terapeuta. "Pai não é uma pessoa passageira na vida de uma criança. É alguém que participa integralmente de sua vida", completa.


A presença de um homem é sempre importante na vida da criança, mas a mãe que não tem um pai para seu filho não deve arrumá-lo a todo custo. "Pai e mãe ela já tem, mesmo que sejam falecidos ou ausentes. É um fato muito triste, mas querer substituí-lo pode complicar mais", afirma Roberta. "Se essa mãe tiver um novo relacionamento, a criança terá um padrasto. Se ela nunca mais namorar, paciência! O filho certamente terá figuras masculinas ao seu redor em quem possa se espelhar", opina.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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