Mãe adotiva fala sobre preconceito racial

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Como lidar com o preconceito racial

Foto: momentimages/Tetra Images/Corbis

Mães têm sexto sentido, capacidade incondicional de amar que chega a causar dor em certos momentos e sabem como ninguém se colocar no lugar de um filho. Elas perdem o sono se seu bem mais precioso fica doente ou vai para a entrevista de emprego dos sonhos. E também sangram muito quando o filho delas é vítima de qualquer tipo de preconceito.

Uma mãe que recentemente veio a público dividir sua dor e indignação foi Priscilla Celeste. Branca e mãe adotiva de uma criança negra de sete anos, ela viu seu filho ser confundido com um menor abandonado. Ela, o marido e a criança estavam numa concessionária quando um funcionário expulsou a criança.

Priscila e o marido, que já eram clientes, esperavam que a empresa se retratasse. A empresa comentou o assunto, mas o definiu como um mal-entendido. Abismado com a situação, o casal resolveu se manifestar. Criou no Facebook a página "Preconceito Racial Não É Mal Entendido" e com a divulgação dos amigos já reuniu mais com 96 mil pessoas que fizeram da iniciativa um espaço para discussão. Eles opinam, postam artigos e notícias e deixam suas histórias.

A mãe conta que quando saiu da concessionária com o filho, no sábado (12 de janeiro), ele perguntou por que os tinham mandado embora e por que aquela loja não gostava de crianças, se tinha uma televisão passando desenhos animados. "E eu disse a ele: ‘Se essa loja não gosta de crianças, mamãe e papai também não vão ficar aqui.’ Procuramos minimizar o impacto do incidente."

A repercussão levou os pais a retomarem a conversa com o filho. "Explicamos para ele que não achamos certo o vendedor nos mandar sair da loja sem nenhum motivo e resolvemos reclamar. Queremos que nosso filho cresça feliz, bem resolvido, que respeite e seja respeitado." Esta não é a primeira vez que a família passa por situações de preconceito, mas dessa vez Priscilla não quis deixar barato.

"A atitude do gerente de vendas, que jamais entrou em contato conosco para se desculpar, e a resposta da concessionária, que insistiu em classificar o incidente como um mero mal-entendido e nunca reconheceu que nossa indignação como pais é legítima, nos fizeram falar", declarou a mãe, que conta o motivo pelo qual não reagiu das outras vezes: "A gente tem medo de expor e magoar ainda mais quem a gente ama."


O preconceito, na opinião de Priscilla, está no inconsciente coletivo, é o legado deixado pela história do negro no Brasil, ligada à opressão e ao trabalho escravo. Mas, assim como essa mãe, nenhuma outra quer presenciar algo tão grotesco.

"As pessoas associam a cor da pele à condição social. A ação preconceituosa é impulsiva, muitas vezes irrefletida, mas isso não justifica o sofrimento e a dor que ela causa. Ninguém está preparado para ver um filho ser discriminado. E não importa se esse filho veio da barriga ou do coração". E finaliza: "Se o gerente de vendas tivesse parado um segundo e olhado de fato para nosso filho, teria agido de forma diferente."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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