Ludoterapia revoluciona relação entre odontologia e crianças

Ludoterapia revoluciona relação entre odontologia

Não é de hoje que jogos e brincadeiras têm sido adotados por diferentes profissionais para ensinar valores e, até mesmo, para promover mudanças de comportamento nas crianças. Mas fazer uso do lúdico no campo da odontologia é algo bem incomum, mas que dá certo há mais de 40 anos.

O precursor dessa técnica é o odontopediatra Léo Kriger. O profissional tem conquistado as crianças que visitam seu consultório no Paraná e aumentou seu número de admiradores de todas as idades. Para cativar os pequenos, Dr. Leo presenteia seus pequenos visitantes com massinhas de cores amarela e vermelha. Também pede para elas fazerem esculturas em casa e as levarem na próxima consulta.

Este trabalho passa a compor uma exposição permanente no consultório do especialista. "Tenho centenas de esculturas. E algumas delas foram feitas há 20, 30 anos", conta Leo Kriger. "Na exposição tenho elefante jacaré, aranha, passarinho, peixe, estrelado mar, entre outros. O dinossauro é uma das mais antigas. Foi criada por um menino que tinha 10 anos na época. Hoje ele trabalha como desenhista mecânico na Alemanha", completa.

Estas esculturas além de aguçarem a criatividade da criança ajudam a estreitar os laços entre o profissional e o pequeno cliente, uma vez que é comum a criança ter medo de ir ao dentista. "Muitos profissionais não têm paciência com as crianças, não sabem como lidar com elas. Eu tento mudar isso. Antes mesmo de ela sentar na cadeira eu digo: ‘você só poderá se sentar aqui quando eu tiver certeza de que você é meu amigo’. Dessa forma eu inverto o jogo, faço ela querer voltar com a escultura na mão e se sentar na minha cadeira", diz. Teve o caso de um menino que perguntou para a mãe: ‘será que um dia eu vou sentar lá?’", lembra.

Dr. Léo conta ainda que a massinha tem ajudado a aproximar pais e filhos. "Tudo bem que algumas esculturas que chegam aqui não são feitas pelas crianças, mas o importante é que me sinto feliz por promover essa aproximação", afirma. "Independente disso, nunca deixo de elogiar o trabalho. Toda criança quer ser reconhecida pelas suas obras", completa.

Ludoterapia revoluciona relação entre odontologia

Foto/Arquivo pessoal odontopediatra Léo Kriger

Histórias que marcam

A iniciativa do Dr. Leo mexeu e ainda mexe com quem já visitou o consultório. Ele mesmo faz questão de guardar algumas histórias no coração. "Uma vez, um menino veio aqui antes de passar no oftalmologista. Quando ele chegou à outra consulta, o médico disse: ‘Eu sei de onde você veio. Do Dr. Léo. Sei por causa da massinha que você está segurando. E quando eu era criança também recebia essa massinha para fazer esculturas", relata.

Já outra criança que passou pelo consultório criou uma escultura que serviu para pedir socorro. Representava um menino subindo no pau de sebo, com uma cobra enorme na chão e outra pequena no topo. "A mãe de um dos meus pequenos clientes era uma psicóloga famosa na cidade. Quando ela viu a escultura pediu para falar com a criança, alegando que ela corria perigo. Dei o telefone e ela conversou com a família", conta o odontopediatra. "A mãe do garoto, representada pela cobra grande, era muito autoritária e mandona. Já o pai, a cobra menor, era submisso. E ele estava no pau de sebo porque não sabia como resolver a situação. Era pressionada por duas situações de perigo".

Além do adesivo, conhecido como o distintivo do Clube dos Amigos do Dr. Leo, as crianças entre um ano e meio e onze anos, em média, recebem a massinha. "Não dou para bebês porque eles podem engolir. E para os maiores, que se interessam por outras coisas, eu ensino a fazer bolinha para futebol de botão, por exemplo", diz. "Há ainda crianças que pintam quadros e me dão para pendurar no consultório".

O trabalho do odontopediatra foi deu tão bem avaliado pelos demais profissionais do ramo que entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro ele participará do Congresso Internacional de Odontologia do Centenário, em São Paulo. O assunto? Ludoterapia. "Eu ingressei nesse projeto por acaso. Quando vi já estava inserido. Estou impressionado com a repercussão", revela.


E uma curiosidade: a ludoterapia fez com que Dr. Leo reduzisse a necessidade de atendimento com sedação consciente, um ácido para controlar as crianças, e de aplicações de anestesia geral. "Quem era meu paciente hoje traz filhos e netos para serem atendidos aqui. E agora, por meio desse evento, quero transmitir minha experiência aos jovens dentistas".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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