Livros para crianças e adolescentes...

Eu li esses livros quando era criança, mas sou obrigada a reconhecer que o nível de leitura da molecada de hoje é infinitamente inferior ao meu. E o meu era superior ao da meninada da minha idade... Não sou esnobe, isso é um fato. Não fui habituada aos clássicos da literatura brasileira e estrangeira, não é isso. O negócio é que eu lia bula de remédio quando havia coisa melhor à mão. Eu amava ler enciclopédias (achava divertido), jornais e os livros do meu avô (inclusive os pornográficos), isso desde os seis, sete anos.

Eu não sirvo de parâmetro para nada! Custei a entender esse outro fato. Me pergunto se esse mergulho tão intenso no mundo da linguagem desde uma idade tão tenra não serviu de escudo para que odiar matemática... ok, estou tentando arrumar um jeito de explicar meu ódio por matemática, e não vi lógica alguma no que acabei de escrever. Quer dizer, tem alguma, eu sei que tem, ali, oculta... muito oculta... invisível...

Nesta era de livros em versões infanto-juvenis, modernizadas, concisas, ou sei lá quê abordagem psicopedagoboba qualquer, um livro bem escrito é coisa rara. É um universo cheio de Thalita Rebouças e Obrigado Esparro, completamente descartáveis, que atendem àquela necessidade de consumo rápido e "diálogo com o mundo jovem".

Na semana passada eu consegui sentar a minha sobrinha postiça de 12 anos ao meu lado, e coloquei no google books uma visualização parcial de Confissões de um Vira Lata, do Orígenes Lessa, e sabem de uma coisa? Ela se amarrou. Resolvi comprar o livrinho para ela poder lê-lo inteiro. Já sei que muitos dirão que é um livro tolo, mas se for comparado aos livros "modernos", ele dá um banho: criativo, humor refinado e elegante, um uso perfeito da língüa portuguesa sem ser pedante, riqueza vocabular, estrutura narrativa inteligente e que pode auxiliar em exercícios de construção de texto, leve, ágil, enredo interessante, enfim, é possível começar a trabalhar a imaginação dos alunos com muita facilidade a partir desse livro.

Tátá me pediu que fizesse para ela uma lista de outros livros legais para ela ler. Eu fiz uma listinha, e recomendei que procurasse na biblioteca da escola, e os que não estiverem disponíveis lá, eu compro e empresto a ela. Por que não dar? Pois assim que ela acabar de ler e depois de trabalharmos com o livro, eu poderei emprestar para outro jovem que não tem condições de comprar e que queira aprender a ler e a produzir textos. Montar um clube de leitura, entendem? O que acham? Não pode ser uma idéia legal?

Gostaria que mandassem comentários com sugestões!

Eu separei os seguintes livros:

  • O menino do dedo verde . de Maurice Druon
  • A árvore dos desejos. de William Faulkner
  • Confissões de um Vira-Lata. de Orígenes Lessa
  • Memórias de um cabo de Vassouras. de Orígenes Lessa
  • O Centauro do Jardim - Moacyr Scliar
  • A mulher que escreveu a Bíblia - Moacyr Scliar
  • As aventuras de Tibicuera - Éricos Veríssimo
  • E tá bom parar por aí. Alguém sugere outras coisas para molecada de 11 anos para cima? Cheguei a pensar a sugerir o Príncipe de Maquiavel, pois acho que numa primeira leitura ele começa da dar noções de um certo pragmatismo e moralisto, e suscita a discussão. Pode-se falar de história, de um determinado momento quando o livro foi feito, etc, mas depois retirar do livro conceitos, comportamentos que são vistos até hoje como realpolitik. Um processo de amadurecimento da visão do mundo: não que eles sejam capazes de atuar ativamente, mas terão material para refletir, para identificar comportamentos, para perceber as escolhas feitas pelos outros e suas motivações, e terão mais chances de escolher seus caminhos com mais consciência de si mesmos. É um livro que fomenta o debate crítico, que instiga a observação dos outros, da realidade, etc. Mas fico insegura se a garotada iria topar um livro desses aos 13 anos.

    Ler as coisas certas, de boa qualidade, ler discutindo com os professores e amigos, produzir textos. Criar cidadãos.

    Alguém ajuda?

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