Lei que limita o peso das mochilas divide opiniões

Peso das mochilas

Foto: Darren Kemper/Corbis

Foi aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a lei que limita o peso da mochila das crianças e adolescentes a 15% de seu peso. A medida obriga, também, que as escolas ofereçam armários aos estudantes para que guardem seus livros e não carreguem tanto peso.

Mas saiba que o recomendado pelos profissionais, como a doutora Elaine Figueiredo de Sousa, fisioterapeuta da Fluyr Saudável, é que o peso máximo das mochilas seja de 10% do peso corporal e não 15%, como indica a lei. "Um dos problemas é que as crianças acabam forçando um lado do corpo, causando alterações posturais e no crescimento", explica Elaine.

E os problemas causados pelo sobrepeso carregado pelas crianças e adolescentes podem ser muitos, como dores crônicas nas costas, alterações da postura, tensão muscular e escoliose (desvio lateral da coluna, no qual esta fica em formato de "S"). Além destes, hipercifose (aumento da curvatura da região dorsal), hiperlordose (curvatura excessiva da coluna para dentro), hérnias de disco, ombros arredondados, dores de cabeça e problemas respiratórios, devido à compressão na região dos pulmões, podem ser registrados em pessoas que carregam mochilas muito pesadas.

A medida governamental, que ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados para ter validade, será aplicada para estudantes da rede pública e privada da educação infantil (crianças de até cinco anos), do ensino fundamental (alunos de seis a 14 anos) e do ensino médio (adolescentes de 15 a 17 anos). O projeto determina que o estudante ou seu responsável declarar o peso do aluno por escrito.

Entretanto, não haverá qualquer penalidade à escola ou aos donos das mochilas que ultrapassarem os limites estabelecidos. Ao invés de aplicar punições, o poder público investirá em campanhas educativas para conscientização dos males à saúde que o peso excessivo pode causar. Mas não espere a lei entrar em vigor para cuidar de seus filhos.

"Os pais devem verificar o que as crianças levam na mochila para controlar seu peso. Ajudar a ver o que é realmente necessário levar à escola e observar a quantidade de livros que devem ser levados diariamente", recomenda a fisioterapeuta.


Além disso, dê preferência às mochilas que possuem alças reguláveis e acolchoadas, em especial às que contêm aquele cinto que prende a bolsa às costas, evitando, assim, as possíveis "pancadas" na região lombar quando a criança estiver em movimento. "O ideal é que a largura da mochila não exceda a largura da criança. E mochilas com muitos bolsos extras significam mais peso, por isso deve-se evitá-las", explica Elaine.

As crianças - e mesmo os rebeldes adolescentes - precisam da ajuda dos pais e professores para prevenir problemas futuros em seus ombros e coluna vertebral. Por isso, entre em contato com os diretores e professores da instituição de ensino de seus filhos e converse com eles de modo que seja possível dividir bem as matérias, evitando que muitos livros precisem ser carregados num mesmo dia. O uso da informática, presente cada vez mais no ambiente escolar, também pode ajudar a reduzir a quantidade de livros carregada pelos alunos.

E observe bem suas crianças. Se, ao retirar a mochila, o local onde estavam as alças estiver avermelhado, é um sinal de que o peso carregado deve ser reduzido. Dessa forma, o futuro estará garantido, não apenas no campo acadêmico, mas também levando em conta a saúde dos estudantes.

* Serviço: Doutora Elaine Figueiredo de Sousa, fisioterapeuta da Fluyr Saudável.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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