Intimidade entre pais e filhos

Intimidade entre pais e filhos

Quando era pequena, a paranaense Mariana Bastos sempre tomava banho com os pais. Lembra de se trocar na frente do irmão mais novo até a adolescência sem vergonha alguma. E guarda dessa experiência uma naturalidade que nada tem de anormal.

"Não sei muito bem se perguntei para a minha mãe sobre o corpo ou porque eu e meu irmão éramos diferentes. Como era natural, sem nada forçado, não me recordo de qualquer tipo de constrangimento". Hoje, tanto ela quanto o irmão e o tratam de sexualidade com uma naturalidade invejável.

A história de Mariana, que hoje tem 28 anos, se repete todos os dias em muitas casas. Mas não é em todas que a tal naturalidade reina, criando às vezes um tabu com relação ao corpo que poderia ser, facilmente, resolvido dentro de casa. "Hoje as crianças estão expostas a uma carga de erotismo muito grande, principalmente por causa da televisão. Nesse contexto, elas absorvem uma imagem prematura da sexualidade e, sem maturidade para interpretá-la, simplesmente a imitam", contextualiza a psicóloga Marta Bitetti, de São Paulo. E, segundo ela, o melhor ambiente para aprender sobre o assunto é mesmo o familiar. "Por isso a família deve prestar atenção no próprio comportamento, pois certamente servirá de parâmetro e modelo para a criança", alerta Marta, que é diretora do Colégio Ápice, na capital paulista.

Como entre servir de modelo e efetivamente ensinar há uma linha fininha, quase invisível, é preciso cuidado. "Certas manifestações de carinho, como um selinho na boca, por exemplo, podem ser inofensivas, mas deve-se cuidar para que não se torne um hábito permanente", diz Marta. Isso porque, segundo explica a psicóloga, a criança pode registrar o beijinho inocente como um ato natural e passar a agir da mesma forma com outros adultos ou outras crianças.

É claro que é preciso respeitar as diferenças culturais dentro de cada família. Assim como na de Mariana, muitos pais tomam banho com os filhos ou andam nus pela casa desde pequenos até a idade adulta. "Mas cada família deve viver sua realidade, com o cuidado necessário para não ‘ferir’ ou ‘chocar’ as pessoas que vivem em sociedades com cultura diferente. Isso deve ficar bem claro para os filhos e deve fazer parte das conversas entre eles", sugere.


Por Sabrina Passos (MBPress)

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