Inteligência emocional pode ajudar crianças a lidar com o bullying

Inteligência emocional

Foto: Susanne Dittrich/Corbis

Você, com certeza, já ouviu falar em Q.I. (Quociente de Inteligência), certo? Por meio de um teste, as capacidades cognitivas de uma pessoa são medidas e classificadas como na média, abaixo ou acima dela. Normalmente, esse teste avalia apenas o aspecto lógico do nosso pensamento, mas será que isso é tudo? A inteligência emocional garante que não.

A psicóloga educacional Tabata Caffé afirma: "A inteligência emocional é um conjunto de habilidades pessoais e sociais necessárias para uma vida bem-sucedida em todos os âmbitos". Esse conceito é o maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas por um motivo simples: grande parte das situações de trabalho é envolvida por relacionamento entre as pessoas.

Dessa forma, pessoas com qualidade de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter a tão desejada carreira bem-sucedida. O controle de temperamento, adaptabilidade, persistência, amizade, respeito, amabilidade e empatia também são fatores que muito pesam na hora de se relacionar.

Nos pequenos, essas habilidades devem ser trabalhadas desde a educação infantil até a vida adulta. Ao adquirir certo grau de estabilidade emocional, as crianças alcançam uma melhor capacidade de se expressar por meio de seus sentimentos, sua autoestima e carisma aumentam significativamente e elas se afetam menos diante dos eventos previstos no processo evolutivo da vida, como decepções e frustrações.

"Até o bom humor pode e deve ser estimulado", conta Tabata. E dá para entender o porquê, já que quando estamos mal-humorados, tudo parece pior e os problemas parecem mais difíceis de serem solucionados. E com as crianças é a mesma coisa. Vale os pais observarem o humor dos pequenos antes de brigar por qualquer motivo, afinal, eles também têm seus dias ruins.

É importante ensinar às crianças que elas precisam aprender a lidar com cada coisa que sentem, aceitando e entendendo cada um daqueles sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Assim, conhecendo seus pontos fortes e fracos, elas vão adquirir confiança para enfrentar as mais diversas situações, mesmo as mais estressantes.

Colocar as próprias emoções a serviço de uma meta é, também, uma ótima estratégia para driblar as dificuldades. Quando seus pequenos estiverem com raiva de algum coleguinha por serem excluídos, por exemplo, faça-o usar esse sentimento para que aprenda a brincar sozinho e mostre os outros que não se abalou com a atitude.


Para colaborar com a empatia de seus filhos com as outras pessoas, evite ter reações explosivas e aja sempre com calma, entendendo os sentimentos e ouvindo o que a criança tem para dizer. Você funciona como um espelho para seus filhos e, vendo você, eles aprenderão a escutar e entender o que as outras pessoas sentem, facilitando muito seu relacionamento interpessoal.

"A criança, além da inteligência cognitiva para aprender, necessita da inteligência emocional para lidar com esse QI e ser equilibrada e feliz. O ensino dessas capacidades deve se dar desde o início da fala e autonomia das crianças, entre 18 e 24 meses".

E ao que parece, a Inteligência Emocional pode ajudar os pequenos a lidar com o temido bullying. "Crianças mais equilibradas, sensatas e felizes não teriam necessidade de praticar esse ato e teriam defesas adequadas para não se tornarem vítimas do mesmo", afirma Tabata que acredita que o dano desse tipo de atitude afeta não só quem recebe, mas também quem faz.

Então, converse com seus filhos e esclareça tudo o que acontecer. Seja franca sobre os problemas que a família esteja passando e se torne a melhor amiga da criança. Assim, ela dividirá todas suas angústias e medos e você poderá auxiliá-la a lidar com a maioria das dificuldades, dando força e apoio nas horas difíceis.

* Serviço: Tabata Caffé, psicóloga educacional.

Juliany Bernardo (MBPress)

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