Ingresso precoce no Ensino fundamental

Ingresso precoce no Ensino fundamental

De acordo com a assessoria da Secretaria de Educação Básica (SEB), o Ensino Fundamental de nove anos (a famosa nona série) já está implantado em 5130 municípios brasileiros, o que corresponde a 92% do total. Os outros 434 municípios devem garantir a matrícula das crianças nessa faixa etária em 2010, como determina a Lei nº 11.274, de 2006.

Com isso, todas as crianças de seis anos devem estar matriculadas na primeira série até 2010. Mas, como antes já havia meninos e meninas de seis anos no Ensino Fundamental (e que completariam sete ainda na primeira série), alguns pais acreditam que seus filhos de cinco anos, por exemplo, já estão aptos a realizar a primeira série.

Adriana C., mãe de duas crianças em idade escolar, discorda desses pais. "Meu filho cursou os exatos quatro anos da Educação Infantil, refazendo o último ano por opção dos pais. Junto com ele, uma turminha de seis alunos também refez o ano e, assim, a escola preparou uma classe ‘especial’ para essas crianças. Os professores puderam aproveitar o aprendizado do ano anterior e aprofundar os desafios disciplinares em diversas áreas, como linguagem, matemática, artes, música e projetos específicos como o estudo do meio ambiente e cultura brasileira", conta a mãe. Ela pretende repetir a experiência com seu filho mais novo.

Segundo a SEB, o objetivo da alteração na educação das crianças é diminuir as desigualdades entre classes. "A política de ampliação do ensino fundamental não só assegura o direito à educação, mas amplia para toda população o que há muito tempo já é direito nos segmentos populacionais de renda mais elevada. A equalização das oportunidades de acesso à educação de qualidade, uma das prioridades de uma educação republicana e democrática, implica em reduzir essa desigualdade", declara a Secretaria, por meio de sua assessoria de imprensa.

A mesma Secretaria justifica que as crianças de seis anos, assim como as demais de sete e oito anos - que integram o denominado "ciclo da alfabetização" - precisam de uma proposta curricular que atenda às características, potencialidades e necessidades específicas dessa infância. "Os conteúdos do 1° ano não devem ser os mesmos conteúdos trabalhados na 1ª série do Ensino Fundamental de oito anos. Trata-se de um novo Ensino Fundamental que exige a reelaboração da Proposta Pedagógica das Secretarias de Educação e do Projeto Político-Pedagógico das escolas, bem como a atualização das normas curriculares pelos Conselhos de Educação", afirma.

Elizabeth Monteiro, psicóloga e autora do livro "Criando adolescentes em tempos difíceis" (Summus, 2009), afirma que não há problemas na iniciação precoce das crianças, desde que os pais não exijam mais que o necessário para um desempenho razoável. "A iniciação das crianças no Ensino Fundamental mais cedo só pode prejudicá-las se os pais forem muito ansiosos ou perfeccionistas e passarem a fazer cobranças exageradas", afirma.

Será que existe um parâmetro para saber se uma criança está pronta para assumir as responsabilidades do Ensino Fundamental? Para a mãe Adriana, depende do grau de maturidade da criança. "Acho que o preparo para ingressar no Ensino Fundamental varia de criança para criança. Meu filho mais velho, por exemplo, aos 5 anos já estava alfabetizado. Pedagogicamente tinha todas as condições de cursar o 1º ano com mais facilidade, até, que várias crianças mais velhas que ele. Mas, emocionalmente, não apresentava maturidade para isso. Ainda demonstrava necessidade de atividades mais lúdicas, de mais brincadeiras, e responsabilidades de acordo com sua idade.

Por isso, para ele, achei mais indicado aguardar mais um ano, até que com 6 anos completos (ele faz aniversário no início de fevereiro), ele fosse para o 1º ano", diz. E, nesse caso, a mãe e a psicóloga concordam. Elizabeth explica que "se a criança já elaborou a ‘angústia de separação’ da mãe e consegue ficar sem ela por um longo período de tempo, está pronta para entrar para a escola".

Ingresso precoce no Ensino fundamental

Elizabeth Monteiro. Foto: Tato Ghiurghi.

Adriana diz não estar arrependida de ter feito seu filho repetir o último ano da Educação Infantil. "Acredito piamente que ele não foi prejudicado. Pelo contrário, saiu ganhando, e muito. Fez novas amizades, foi mais estimulado, ganhou maturidade e não deixou, simultaneamente, de brincar".

De qualquer forma, é importante que os pais compreendam que os filhos têm seu próprio ritmo de desenvolvimento, já que nenhuma criança é igual à outra. Segundo Elizabeth, o papel dos pais é essencial, não só para acompanhar nas atividades escolares, mas sim para tornar a vida mais agradável e produzir boas lembranças para o futuro. "Os pais devem brincar muito com a criança em todos os momentos disponíveis. Fazer com que os momentos junto com a família se transformem nos melhores da vida dessa criança", reforça.


Mais informações sobre a implantação da nona série do Ensino Fundamental estão no site oficial do MEC: www.portal.mec.gov.br

Por Priscilla Nery (MBPress)

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