Homossexualidade: como tratar o assunto em casa?

Como falar sobre homossexualismo em casa

Há quase um século, Sigmund Freud revolucionou e escandalizou toda a sociedade ao falar sobre a sexualidade infantil de maneira jamais imaginada. O tempo passou, as crianças começaram a ter acesso a assuntos que nem mesmo o fundador da psicanálise poderia prever e os pais, de certa maneira, souberam lidar bem com a situação. Apesar destes avanços, a homossexualidade permanece um tópico pouco abordado, seja por causa do preconceito, dúvidas ou até mesmo receio sobre como a criança vai se portar.

Segundo o educador Marcos Ribeiro, o assunto, apesar de polêmico, não deve ser valorizado nem escondido. É preciso tratar da homossexualidade como se fala sobre tudo o que é relacionado ao sexo. Porém, alguns temas podem ser abordados de maneira diferenciada, por talvez não fazer parte do cotidiano da criança, sem precisar de certos aprofundamentos.

"Os filhos devem aprender regras, independente da opinião pessoal ou dos pais, e neste quesito o respeito deve estar em primeiro lugar. É preciso compreender que as pessoas são diferentes, nas mais diversas maneiras e, por isso, respeitar o próximo é fundamental", explica.

Para começar a explicação sobre esse tipo de diferença, Ribeiro ensina algo bem simples: "Coloque a sua mão junto à da criança. Por mais que o filho se pareça com os progenitores, as mãos são muito diferentes. Então explique por que isso acontece e, principalmente, o fato de ser algo normal, porque todos somos diferentes".

A mesma técnica usada para explicar a homossexualidade pode ser aplicada em relação aos idosos, portadores de deficiências mentais ou físicas. Infelizmente, a descriminação existe não somente por parte da preferência sexual e, por isso, o assunto deve ser tratado em conjunto com todos os outros grupos que também são excluídos da sociedade.

"Comece trazendo exemplos próximos. Caso não tenha nenhum homossexual na família, pode usar os avós, que são idosos e merecem todo o respeito e consideração. Só assim a criança compreende que precisa respeitar toda e qualquer diferença", indica o profissional.

O educador afirma que o principal erro cometido pelos pais, talvez por ser algo implantado em nossa cultura, é especificar a diferencia dos gêneros masculino e feminino. As vantagens para os meninos são muito maiores do que para as meninas desde cedo, em todos os aspectos. Nas histórias, por exemplo, o homem é sempre o herói, enquanto a mulher é frágil e tratada como a princesinha, sempre no diminutivo. Tal diferença é levada para a educação, fazendo com que todos devam desempenhar os papeis já pré-estabelecidos.

Marcos Ribeiro relata: "O que acontece então, quando os filhos não correspondem a essa idealização dos gêneros? Ser homem significa jogar futebol e ser mulher significa ser frágil e doce. Mas, na realidade, existem muitos meninos que odeiam o esporte e muita menina que joga como ninguém. O problema é que, por isso, são desprezados e recriminados".

Outro ponto de extrema importância é que ninguém, independente da idade, se "torna" homossexual. A natureza de cada ser humano designa a preferência por homens ou mulheres, assim como a maioria das coisas da vida. A homossexualidade não "pega" ao tomar banho junto, conversar ou até mesmo dormir na mesma cama. O filho ou filha só será gay ou lésbica caso ele tenha nascido com esta preferência.


"Não existe uma hora correta para falar sobre o assunto com o filho, mas deve-se esperar que surjam os questionamentos no caso da sexualidade em geral. O mais importante é ser objetivo nas respostas, sem aprofundamentos. Ao longo do tempo, a criança, por si só, vai aprofundar alguns assuntos com os pais", finaliza o educador.

Por Carolina Pain (MBPress)

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