Geração imediatista

Geração imediatista

A geração que hoje passa pela adolescência e juventude tem características bem diferentes das anteriores. O imediatismo é uma das marcas mais presentes nas relações de amizade, namoro e família. Internet, telefone celular e redes sociais são tão comuns que parece que a vida dos jovens muitas vezes está baseada numa comunicação instantânea e sem profundidade.

É verdade que o computador e a Internet trouxeram muitos benefícios e crescimento para a humanidade. O problema começou quando passamos a manter relacionamentos sempre à distância. "À medida que evoluímos em tecnologia e desenvolvimento, infelizmente vamos deixando para traz os hábitos e os costumes das nossas gerações passadas", afirma a psicóloga Cida Rabelo. Para ela, até mesmo a palavra "amigo" passou a ter outra conotação para os adolescentes quando surgiram as redes sociais, já que ali é possível alguém ter uma multidão de "amigos". Antes dessas redes, um amigo era geralmente uma pessoa muito próxima, alguém com quem se podia trocar confidências e contar em todas as horas.

Assim, os jovens acabam competindo por mais e mais amigos - pessoas que ele normalmente nem conhece. A quantidade e a aparência de felicidade são o mais importante para eles. E como o "amigo" é agora apenas um número, ele pode ser trocado por qualquer motivo. "Logo, a amizade fica descartável e o comportamento do jovem passa a ser coerente com o tipo de vida que ele vive: tudo rápido e descartável", observa a psicóloga.

A verdade é que os adolescentes de hoje vivem num mundo em que o ter e o mostrar se tornaram verbos de ordem. "O que resulta disto é que pouco se sente, muito se mostra e o jovem passa a acreditar que o que vê no outro é o que o outro é, e então começa a se sentir menos e a exigir ter o que o outro mostra, sem pensar que aquilo é apenas uma imagem, não uma pessoa", explica Cida.

Desse modo, o jovem passa a guardar angústias e querer mostrar que é feliz. Com a superficialidade dos relacionamentos, ele não pode compartilhar sentimentos com os amigos e acaba isolado. "O que ele não sabe é que quando conhecemos e nos envolvemos com o outro, também passamos a nos conhecer melhor, aceitar a nossa humanidade e isto implica tempo, disponibilidade, renúncias, paciência, dedicação... Experimentar estes comportamentos nos torna menos imediatistas, mais conscienciosos e pacientes", conta a psicóloga.


Se você ficou preocupada com seus filhos, calma. Os pais têm um papel importante, são referenciais. Então, dê o melhor exemplo, mantendo relacionamentos baseados em confiança e ensinando como é bom compartilhar sentimentos com os outros. E, como apontou Cida, você também pode ajudar "limitando e responsabilizando o jovem por determinados comportamentos, dividindo tarefas". É importante que eles saibam que ter 400 amigos numa rede social certamente vale muito menos que a turma boa da escola ou faculdade.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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