Filhos no rolezinho, e agora?

Rolezinho

Foto: Reprodução/ Marcelo Pereira / Terra

Sem parque, sem praça, sem praia. Foi no shopping que os jovens paulistanos encontraram um espaço de convívio durante as férias. Na intenção de se reunir, paquerar, trocar ideias e até conhecer colegas virtuais pessoalmente, a nova geração criou o famoso "rolezinho".

O movimento, sem querer, acabou se tornando um bicho de sete cabeças. Infiltrados no "rolê", alguns desses jovens acabaram se aproveitando da situação para saquear lojas e assustar cidadãos que estavam a passeio.

E diante de tudo isso você se pergunta: o que deve fazer nesse caso, como mãe?

Ao olhar da especialista em comportamento de jovens Eline Kullock, um dos riscos de reunir muita gente no mesmo espaço é uma coisa chamada "neurônio espelho", que todos temos.

"Sabe quando alguém boceja e você também quer? É isso. Como torcidas de time, o problema de encontro com muitas pessoas é que se começar uma baderna, outros podem entrar na confusão mesmo sem ter vontade inicial. No caso do ‘rolezinho’, o risco é que algumas pessoas tiram proveito dessa aglomeração saudável para roubar e cometer delitos, e os outros podem entrar nessa onda em função desse comportamento de grupo."

Eline acredita que no fim das contas, os jovens trazem dentro de si o sentimento transgressor, no bom sentido, espontâneo e com vitalidade. O problema é que eles não estão encontrando espaço para descarregar toda essa energia.

"O ‘rolezinho’ é mais uma forma de expressar que o adolescente vai ser dono da própria vida. Ele quer escrever a sua história e criar revoluções no mundo", destacou. As próprias redes sociais estão mostrando isso. Quem não se lembra, em junho de 2013, das passeatas que invadiram as ruas do país contra o aumento da tarifa do transporte público? Tudo organizado via Facebook.

Ao contrário desse episódio, os "rolezinhos" de início não levantaram bandeira alguma. Para não desperdiçar a disposição dos jovens, a especialista ressalta: "Os pais que tiverem consciência de que o ‘rolezinho’ não é uma maneira dos filhos colocarem as energias de forma positiva, vão conseguir explicar isso a ele. Redirecione seu filho para a música, para um esporte, o artesanato ou algo que lhe traga prazer".

A ideia não é criticar nem proibir a presença no "rolezinho", mas sim apontar possibilidades mais produtivas.

A psicóloga Ramy Arany concorda com o termo e vai além: "Os pais devem agir quando perceberem o envolvimento de seus filhos com caminhos incertos e, sobretudo, antes deles acontecerem. Uma educação preventiva é a solução no âmbito familiar".


Uma conversa sincera e que expanda o horizonte do filho é o ideal. Ramy indica que os extremos de "liberar ou proibir" podem não ser a saída. Procure equilibrar o caso e não criar polêmica no ambiente familiar.

"A questão de proibir irá depender da autoridade dos pais, pois caso contrário o jovem não irá aceitar. O liberar somente irá piorar a autonomia do jovem para escolher aquilo que ele achar conveniente para si. Por isso, penso que a solução é conversar e mostrar ao filho as consequências de seus atos. Cabendo até estabelecer certas condições limitativas", finaliza.

Sem estresse! Nesse mundo pós-moderno, como Eline deixou claro, "os movimentos são efêmeros".

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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