Filhos digitais, crianças com mais autonomia

Filhos digitais crianças com mais autonomia

Celulares, tablets e internet. Palavras tão comuns atualmente, mas que certamente não fizeram parte da infância de muitos pais. As crianças desta geração, por sua vez, já nasceram em meio à revolução digital, época em que o acesso a diversos assuntos e lugares é muito facilitado.

Recentemente, o canal "Discovery Kids" realizou uma pesquisa sobre como os pais que nasceram num mundo analógico estão se relacionando com os filhos em meio à era digital. Foram entrevistadas 1.450 famílias com crianças de até 10 anos, todas assinantes do canal disponível pela TV paga.

O estudo recebeu o nome de "Crianças de ontem, Pais de hoje" e seu resultado foi bem interessante. Ele indicou que a chegada das novas tecnologias, a falta de segurança e a preocupação com a educação têm formado famílias, cujas crianças possuem maior influencia dentro de casa. O índice se inverte em relação à autonomia fora de casa, sendo que 80% dos pais preferem restringir a liberdade dos filhos para que eles não corram riscos.

Segundo Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e educação especial, as crianças, desde cedo, demonstram uma facilidade enorme em dominar essas novidades e, com o barateamento das máquinas, elas se tornam muito mais acessíveis. O resultado disso é que muito do que se fazia pessoalmente ou por telefone, hoje se faz pelo computador. "Somadas a estas facilidades, que tornam o ficar em casa ‘um programa’ atraente, existe o avanço da violência nas ruas, o que apavora os pais e limita os passeios e brincadeiras das crianças", acrescenta.

A pesquisa também revelou que, pelo fato de ficarem mais tempo em casa, o entretenimento por meio de videogame, DVD e TV, sendo a última a escolha número um de 77% das crianças, são as únicas formas de diversão. Destas, 64% escolhem o programa que vão assistir, 57% delas possuem TV no quarto e 46% dos pais deixam que seus filhos escolham o que querem assistir quando estão juntos.

"As crianças passaram a tomar suas próprias decisões pelo fato de as mães estarem cada vez mais trabalhando fora. Com pouca vigilância, elas ficam horas em frente à TV ou à tela dos computadores em detrimento de brincadeiras ao ar livre e um contato maior com outras crianças", ressalta a especialista.

Dentre as famílias entrevistadas pela "Discovery Kids", o resultado sobre a utilização da internet dos pais junto com os pequeninos foi o seguinte: 67% deles afirmaram que jogam na internet com os filhos, 36% já os acompanharam na web para fazer o dever de casa, 35% somente usaram a internet com os filhos "por curiosidade", 28% a utilizam para assistir a vídeos, 12% acessam canais de TV e 16% dos pais afirmaram que não costumam acessar a internet com os filhos ou o fazem raramente.

Maria Irene comenta que, apesar de não tirar o mérito de que as novas tecnologias podem ensinar e divertir, não se pode negar que muitas vezes existe abuso de dedicação ao mundo virtual e pouco controle das famílias sobre aquilo que as crianças veem, ouvem e como se comunicam. Porém as famílias ainda não se deram conta de que precisam efetuar este tipo de supervisão.

"O excesso sempre é prejudicial em qualquer atividade, pois restringe a variedade de estímulos que as crianças precisam para amadurecer em todos os aspectos, quer seja social, afetivo, cognitivo ou psicomotor. Por isso, as atividades feitas em família são tão preciosas hoje. Por meio de uma linguagem atual e atraente, as crianças e seus pais têm mais um meio em comum para conversar, se divertir, aprender e dialogar", alerta Maria Irene.

A especialista revela que a autoridade dos pais não deve ser diminuída à medida que o filho cria certa autonomia dentro de casa. Impor limites, normas de comportamento, divisão de responsabilidades, ensinar e criar com valores são os principais fatores determinantes para existir ou não autoridade dos pais sobre os seus filhos, seja qual for a situação.


Por fim, o estudo questionou os pais sobre levarem ou não os filhos junto na hora das compras e, surpreendentemente, 86% afirmaram que sim. Já sobre o que eles mais pediam nestes momentos, o resultado mostrou que as crianças de hoje não são assim tão diferentes das de ontem: Elas gostam mesmo é de brinquedos, biscoitos e guloseimas!

Por Carolina Pain (MBPress)

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