Filhos...cuidado com a inversão de valores!

Tenho ouvido com frequência algumas queixas sobre o descaso dos adolescentes com as regras da casa, autoridade dos pais, descaso com responsabilidades (estudos, tarefas domésticas, horários, alimentação, etc...)

Lembro-me de que outrora, a situação familiar era totalmente diferente, os pais não planejavam seus filhos, eles pensavam muito mais na mão de obra que era necessária para manutenção de suas plantações, ou de outros trabalhos desenvolvidos.

Os pais tinham total domínio sobre os filhos, nem sequer se cogitava discussões, opiniões, cada um tinha um papel muito definido e completamente limitado, a mulher-esposa-mãe, o homem-esposo-pai-provedor, e aos filhos cabia a obediência, o respeito a despeito de qualquer tipo de tratamento. As violências domésticas eram comuns e tidas como normais, e não havia nenhum tipo de constrangimento para este tipo de atitude. Não se podia ter opinião própria, não haviam oportunidades para escolher, e os que faziam a revelia, muitas vezes eram deserdados, e afastados do seio familiar.

Quanta mudança....a familia nunca foi tão valorizada como nos dias de hoje, as crianças tem seus direitos humanos reservados, os jovens tem liberdade de escolha, as mulheres escolhem seus maridos, e são excelentes profissionais, a violência doméstica é amplamente rechaçada, quando ocorre e ficamos sabendo através da mídia nos causa horror e comoção.

Estamos mais humanizados, mais ternos, amorosos, conseguimos demonstrar isto através de gestos, abraços , beijos, carinhos, palavras, conseguimos ouvir e dizer aos nossos filhos "eu te amo". Mas temos que nos localizar neste espaço entre um tempo e outro, não somos mais como "antigamente" ainda bem!!! Mas não podemos deixar que os valores se invertam, temos que manter "a casa em ordem", quero dizer, ter o controle da situação, até que eles tenham maturidade para guiar seus próprios passos. Os limites são necessários para o bom desenvolvimento do ser humano. Este período entre a infância e a vida adulta é sempre uma surpresa!

E quando chega esta tal adolescência, o que acontece então??? Pra onde vai aquele filhote fofinho, dócil, carinhoso, aquela menina dengosinha, companherinha, que gostava de auxiliar nas tarefas domésticas, que dava beijo de boa noite???

Ah! Que bom seria se tivéssemos um armário e pudéssemos guardá-los por uns dois ou três anos lá dentro....rsrsrs

Não tem como, temos que lembrar que o limite é importantíssimo para o desenvolvimento da personalidade, e ele deve acontecer desde a infância, e que muitas vezes temos que segurar firme as rédeas para não deixá-los perder o rumo. Eles estão deixando de ser crianças, mas ainda não tem maturidade, estão em fase de transição. Cuidado com as cobranças, se não queremos mais o comportamento infantil, temos que acostumar com as reações, opiniões contrárias, planos diferentes dos que idealizamos para eles. E principalmente nunca podemos esquecer: É uma fase temporária, e vai passar. Precisamos sempre lembrar daquela figurinha linda no berço, que ao dormir causava uma sensação maravilhosa, enchendo nossos corações de ternura e alegria, olhando aquela criatura indefesa e pensando: Meu Deus parece um anjo!!! Então este ser adolescendo, encrencando com tudo, resmungando, às vezes se tornando agressivo, indolente, preguiçoso, etc, etc. é ele mesmo!!! Aquele anjo que embalavamos até adormecer, e colocavamos cuidadosamente no berço. Lembre-se de colocar limites, exigir responsabilidades, mas não esqueça de expressar os seus sentimentos: o amor, a tranquilidade, a serenidade, são os melhores ingredientes para este tempos mais conturbados.

É também necessário acompanhar as atividades extras, pois eles precisam de uma identificação externa, e é importante que tenham um grupo saudável para se identificar: esportes, artes-marciais, grupo religiosos, escoteiros, etc.

A paciência deve ser inesgotável mas a tolerância deve ter limites!!!

Maria

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