Filho nerd ou popular?

Filho nerd ou popular

Nichole D. Foto/Reprodução: site Lookbook

Definir a melhor forma de educar os filhos nem sempre é fácil. O período entre a infância e a adolescência é cheio de transformações. Geralmente, é nessa fase que eles querem ser vistos como parte do grupo. Isso é ainda mais forte na escola. Neste ambiente tende-se a formar dois grupos muito distintos, os nerd e os populares. Como ajudar o filho em um momento como esse?

Ser bom aluno e tirar boas notas pode ser motivo de orgulho para os pais, mas nem sempre é para a criança ou adolescente. Os alunos podem adquirem desde cedo o hábito e o gosto pelos estudos, e são recompensados pelos pais e professores. Porém, com o passar dos anos e com a entrada na adolescência, esses comportamentos antes reforçados, podem passar a ser punidos, e sempre, ou quase sempre pelos colegas do colégio, eles passam a ser chamados de "nerds".

"Nesse momento a criança/adolescente imediatamente associa os seus comportamentos à figura não muito popular daqueles que quase não tem amigos, que não são bem aceitos socialmente, que são bons nos estudos e ruins no futebol ou nas paqueras", diz Paulo Sergio Estevam. "Talvez não haja nesse momento uma rejeição ao comportamento de estudar, uma vez que no passado ele foi bastante estimulado e valorizado, mas pode sim causar um certo grau de desconforto e sensação de inadequação da criança perante o grupo", completa.

Nem sempre o rótulo é visto como negativo pelo jovem. O mesmo pode acontecer quando se trata de ser desinibido e popular. "Esses rótulos podem representar uma marca, um registro, algo que os identifique de maneira negativa, estereotipada, e que não lhes possibilite mostrar quem realmente são", diz Estevam. Eles precisam saber que podem ser bons nos estudos e ainda assim se saírem bem na paquera e nos esportes. O inverso também é verdadeiro. O adolescente poder ser popular e ter muitos amigos sem descuidar das responsabilidades.

O psicólogo afirma que os pais podem e devem interferir quando percebem que esses rótulos estão trazendo sofrimento para seu filho, quando notam que ele se sente punido e rejeitado pelos colegas, e que isso tem lhe acarretado problemas emocionais. "Como tristeza, isolamento, e mudanças de comportamento, como um rendimento abaixo do que vinha tendo até o momento sem nenhuma causa aparente, exceto por uma necessidade de mostrar ao grupo que ele também é capaz de tirar uma nota baixa em matemática, por exemplo", ressalta Estevam.

Não podemos esquecer que é necessário que as crianças sempre tenham momento de lazer. O psicólogo alerta: "É sempre importante que os pais estejam atentos aos comportamentos dos filhos, e que percebam que além de estudar a criança precisa também de lazer e de amigos, e que isso é possível mesmo sendo um aluno nota dez em exatas. O diálogo é fundamental".


Os pais devem mostrar ao filho que existe nele uma grande aptidão e interesse pelos estudos e que isso não é ruim, não é errado. Eles devem continuar valorizando esses comportamentos, ao mesmo tempo em que mostram que esse estereótipo nem sempre corresponde à realidade. "É possível sim, ser um bom aluno sem carregar o título de ‘nerd’ da sala. Essa pode ser uma chance para que os pais tirem um pouco do peso que isso tem sobre a criança, fazendo com que ela se sinta querida e respeitada em casa e no colégio", finaliza o psicólogo.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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