Filho Asmático

Quem é mãe e tem um filho asmático não recebe promoção no serviço. Eu já desconfiava disso, mas depois que li uma entrevista com a Dilma Rousseff tive certeza.

Meu filhote já está com dez anos. Ele teve um privilégio que hoje em dia poucas crianças têm: pude ficar exclusivamente por conta dele até que ele completasse quatro anos. Por isso, aos três ele já lia e aos quatro escrevia. Eu passava os meus dias por conta dele, mas sem aquela coisa chata de ficar neurótica por casa e roupas (nem que eu tentasse, conseguiria lutar contra a minha forte personalidade). Passamos quatro anos nos divertindo de manhã, de tarde e de noite.

Mas o Luiz nasceu prematuro. Ele é fruto de uma gravidez gemelar, em que eu perdi o outro bebê. Por isso, a gravidez não foi moleza. Tive que fazer repouso e tomar um monte de hormônios que me custaram a silhueta aos dezenove anos. Mas não me arrependo. Se eu tivesse que voltar no tempo, faria tudo de novo. Com a diferença de ter um pouquinho mais de cuidado para ele nascer no tempo certo.

E assim, desde que meu filhotinho veio ao mundo, ele pena com problemas respiratórios. Quando moramos no litoral, os pulmõezinhos dele até que tiveram um descanso, mas esse clima horroroso de Brasília faz ele sofrer.

Então, volta e meia tenho que largar tudo o que estou fazendo e ir correndo para casa porque o Luiz está com uma crise de asma. Fato esse que ocorreu ontem, três horas da tarde, em pleno horário de expediente. Quando ele me liga, dizendo que já fez a bombinha, mas ainda não está legal, eu nem lembro de desligar o computador ou me despedir de alguém que esteja próximo. Simplesmente pego a minha bolsa, ignoro os radares controladores de velocidade e chego na minha casa ou onde quer que meu filho esteja em um piscar de olhos.

E foi aí que eu me lembrei da entrevista da Ministra. Ela também tem uma filha asmática, e disse que só conseguiu se destacar no serviço depois que a sua filha tinha crescido e melhorado da asma, porque ninguém consegue entender o que passa na cabeça da mãe de um asmático, para sair correndo a qualquer hora do dia ou da noite para acudir o seu rebento.

Eu nunca tive problema respiratório. Tinha infecções de garganta recorrentes, mas sempre respirei com perfeição. Por isso não sou capaz de compreender o sofrimento do Luiz. Tem dias que quando ele está em crise, deitadinho nos meus braços a caminho do hospital, peço a Deus e a todos os Santos que ele apenas continue respirando, e com toda certeza, se eu pudesse eu respirava por ele. É muito angustiante aquele chiado no peito e aquela força que ele tem que fazer para que o oxigênio entre no seu pulmão, que está constantemente cansado.

Faço de tudo para que ele tenha uma vida altamente normal, muitas vezes até fingindo para ele que não dou muita bola ao fato de ele ser asmático. Ele tem que brincar, que nadar, que se divertir. Mas dói meu coração quando vejo que as outras crianças mal começaram a se divertir e ele se senta cansadinho, doido para continuar na brincadeira mas não consegue. Talvez por isso, o maior passatempo dele seja a leitura. Nos livros ele pode correr, voar, pular, sem passar mal.

Não espero que as pessoas entendam o meu desespero de largar tudo pelo meio e ir acudir o meu filho. Mas também não espero receber uma função gratificada no trabalho nem tão cedo por causa disso. Ser mãe tem dessas coisas. E com certeza, o Luiz é, sempre foi e sempre será a coisa mais importante na minha vida.

Me resta agora me espelhar em Dilma Rousseff. Se, depois que a filha dela cresceu e melhorou da asma, ela pôde ser Ministra e provável candidata à presidência da República, quem foi que disse que eu não também não posso?

Comente

Assuntos relacionados: asma filho

Quiz de Celebridades!

Quem é mais jovem?