Filho adotivo: existe hora para contar a verdade?

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Foto - Hiya Images/Corbis

É bem provável que os pais adotivos vivam, em algum momento, o dilema: contar ou não que meu filho foi adotado? Qual o momento certo? Como lidar com a criança?

Trata-se, na verdade, de uma criança escolhida para fazer parte daquela família e abraçada com muito amor. Por isso em primeiro lugar, a prática da adoção deve vir acompanhada do consenso entre o casal.

O presidente do departamento de psiquiatria da Associação Paulista de Medicina, Dr. Kalil Duailibi, recomenda aos pais adotivos darem a notícia, ainda na infância, mas sugere que a informação chegue ao pequeno de maneira natural, ou seja, quando o filho perguntar algo a respeito ou não vir fotos da mãe grávida.

"Nesse momento, é interessante falar ao filho, por exemplo, que existem crianças que nascem da barriga da mamãe e outras do coração da mãe. E se isso for preparado desde a infância, por meio de histórias em quadrinhos, o contar definitivo depois fica mais fácil", aconselha Dr. Kalil.

Ainda que, em geral, a escolha dos pais seja adotar bebês e com características físicas bem próximas do casal, a adoção de jovens perto ou acima dos 10 anos de idade existe. Nesse caso, o especialista explica que tudo muda de figura.

"Quanto mais idade ela tiver, vai ficando um marco do desemparo, o que gera baixíssima autoestima. Nós costumamos recomendar sempre um acompanhamento psicológico não só da criança, mas da família, se possível", orienta.

Estatísticas mostram que a fila de espera continua grande no Brasil, embora estima-se que 80 mil meninas e meninas morem em abrigos. Uma pesquisa recente mostrou que mais da metade das crianças e adolescentes recebe visitas das famílias, mas voltar pra casa é difícil.

Entre os motivos estão o alto índice de abandono que essas crianças sofreram, no passado, (18,8%), seguidos de maus tratos físicos e psicológicos (11,6%), filhos de dependentes químicos (11,3%) ou que sofreram abuso sexual dos pais (3,3%). Outros 24% foram abrigados por causa da pobreza - o que não deveria ser um motivo para crescer longe da família.

Manter a adoção como segredo por toda vida é muito difícil e sofrido, especialmente para os pais. Além disso, existe sempre a possibilidade de a criança ficar sabendo sem querer, por outras pessoas que não sejam os pais. Quando ela descobre dessa forma poderá surgir um sentimento de traição por achar que foi enganada, de tal modo que perca a confiança nos pais.


Por Natália Farah

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