Falta de vitamina D nas crianças, o que fazer?

Falta de vitamina D nas crianças

Foto: Andrea Ruester/Corbis

As pediatras têm notado, atualmente, um aumento significativo dos casos de falta de vitamina D nas crianças.

As pediatras têm notado, atualmente, um aumento significativo dos casos de falta de vitamina D nas crianças. A que isso se deve? Será que, por medo das doenças de pele que a exposição excessiva ao sol - que ajuda a sintetizar a vitamina - podem causar, as mães não deixam seus filhos "brincarem lá fora"?

Por incrível que pareça, o problema não é com a exposição ao sol, mas com a alimentação dos pequenos. Segundo o dermatologista Amilton Macedo a maior responsável por incentivar a produção da vitamina D é a alimentação e não a exposição solar.

"Criança gosta é de comer carboidrato, biscoitos, refrigerantes, doces etc. E a educação alimentar, que deveria vir dos pais, não existe e o filho acaba tendo uma dieta pobre em vitaminas e rica em sódio, açúcar e carboidrato", afirma Amilton. Ele observa que a maioria das bolachas recheadas é enriquecida com vitaminas e ferro, numa tentativa das indústrias de oferecer esses nutrientes por meio de seus produtos. Mas, acredite, mesmo assim, uma dieta mais saudável é necessária!

O sol, apesar de influenciar a sintetização da vitamina D, é responsável apenas por uma pequena parte dela. E para que as crianças a obtenham, a luz solar que elas recebem durante seu dia a dia na escola, no parquinho ou enquanto se locomovem já é suficiente. As partes do corpo que ficam naturalmente expostas, como rosto, mãos e braços, bastam para que o corpo produza a quantidade de vitamina que o astro-rei proporciona.

Lembrando que a exposição prolongada ao sol continua sendo contraindicada pelos especialistas, principalmente no intervalo entre 10h e 16h, no qual a radiação tem incidência muito mais forte. "Neste período os riscos de que seu filho desenvolva algum tipo de câncer de pele se torna maior e com mais peso do que a deficiência de vitamina D, que pode ser suprida através da alimentação", conta o dermatologista.

Mas, poxa, que alimentos milagrosos são esses? Nada de outro mundo, viu? Apesar de a maior fonte de vitamina D ser o óleo de bacalhau (difícil de fazer as crianças aceitarem), existem alternativas tão eficazes quanto. Como, por exemplo, salmão, atum enlatado, gema de ovo, bife de fígado, leites, iogurtes e queijos. Tudo isso é fácil de incluir na alimentação dos pequenos sem que você tenha caras de reprovação na mesa do jantar.

Para crianças muito pequenas, que ainda estão na fase das papinhas, uma ótima dica é misturar a gema de ovo com aveia, que também é um alimento muito completo e benéfico à saúde.

Evite apresentar alimentos diferentes logo depois de ter dado alguma guloseima muito açucarada, pois as chances de a criança rejeitar a nova opção são potencializadas pela diferença de sabores. E se, mesmo com todos os esforços, seu filho ainda rejeitar o prato, tenha pulso firme e mostre os benefícios de se comer determinado alimento.

Explique o porquê de ser importante, o que pode acontecer se a criança não consumir todos os nutrientes necessários e dê o exemplo mostrando que o item pode, sim, ser gostoso. Você é o maior exemplo do seu filho e, caso você esteja se deliciando com um bife de fígado bovino, ele vai ter a curiosidade de provar.

Com um pouco de empenho (e criatividade para apresentar o mesmo alimento de diversos jeitos até a criançada se acostumar com os sabores diferentes) você conseguirá atingir a meta de vitamina D que o pediatra indicar. E não se esqueça de consultá-lo sempre, porque só um profissional capacitado poderá avaliar a situação e decidir quais as melhores medidas a serem tomadas.

* Serviço: Amilton Macedo, dermatologista.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: vitamina d crianças