Estresse infantil

Estresse infantil

Pode parecer manha, birra, falta de educação, mas olhando de perto, seu filho pode estar apresentando sintomas de estresse. Criança também sofre desse mal da vida moderna e, acredite, as causas são as mesmas que assolam os adultos: excesso de atividades, falta de tempo, pressão!

É por isso que o neurologista Luiz Celso Vilanova, chefe do Departamento de Neurologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo, chama atenção para que os pais fiquem alerta. “Perda de apetite, de sono, vômitos e até hiperatividade podem ser sinais de estresse infantil”, diz. Segundo ele, é essencial analisar essas manifestações e identificar a raiz do problema. Irritabilidade, instabilidade e choro fácil também são sintomas recorrentes.

O estresse depende da faixa etária, e se expressa de maneira diferente do que nos adultos. “Ele pode ser físico ou psíquico. E é muito importante tratar na origem do problema”.

O excesso de atividades pode ser uma das causas. Segundo a psicóloga Renata Machado Coelho, professora do curso de Pedagogia do Mackenzie, de São Paulo, é comum ver crianças com excesso de atividades extra-escolares, além da própria escola que, por vezes, exagera nas tarefas. “Excesso de cobrança, situações de perda e luto também podem provocar estresse emocional”.

Por isso, tanto Luiz quanto Renata recomendam bom senso. Tudo bem matricular os filhos em diversas atividades, mas é preciso sentir o limite da criança. “A cobrança em excesso, muitas vezes por parte dos pais, faz com que a criança coma mais rápido, tome banho mais rápido, faça tudo correndo”, diz o neurologista. “Respeite o ritmo de seu filho. Faça com que ele tenha atividades leves ao ar livre como pequenas caminhadas, passear com o cachorro. Procure estar mais perto, mantenha contato físico, não poupe abraços. Pense na infância como um ambiente de calma e cooperação”, completa a psicóloga.

Reduzir o ritmo de atividades pode ajudar. Mas, o essencial é ouvir o que a criança tem a dizer. Às vezes a solução pode ser uma receita médica e o contato com um pediatra. Em outras situações, terapia pode ajudar. “Mas muitas vezes, temos mesmo é que tratar os pais”, finaliza Luiz Celso.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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