Estragar as crianças é criar adultos com problemas

Estragar as crianças

Excesso de consumo, ausência forçada do pai, competição entre os pais, tentativas de compensação, excesso de fast food, esses são alguns dos fatores que influenciam na construção da personalidade das crianças. Tais ações podem fazer com elas fiquem mimadas, egoístas, exigentes e até insensíveis.

O autor do livro "A Nova Vida Boa", John Robbins, em artigo publicado no Huffington Post fala de que forma os estragam as crianças. Ele acredita que isso nada tem a ver com abundância de amor, atenção e cuidados, mas com a substituição de coisas materiais pela falta de tempo e de amor genuíno.

Para Robbins, na tentativa de dar às crianças tudo o que elas querem, tentando agradar os seus desejos, e buscando não fracassar na proporção da felicidade dos pequenos, acabamos pecando. Isso porque trocamos o "alimento real" pelo prazer em curto prazo, uma das evidentes características da cultura em que vivemos, como cita Robbins nas palavras do ambientalista Bill McKibben. "Quase todo mundo é um pouco mimado, onde estragar crianças subscreve uma parte significativa da economia", afirma McKibben.

O problema é que esse sacrifício dos pais, reduzem as chances da criança ter uma vida auto-suficiente. Robbins afirma que as atitudes dos pais são a chave neste processo. "Se os pais não podem tolerar qualquer tipo de desconforto de seu filho, se eles nunca podem dizer não para ele ou ela, a criança cresce com medo. Se os pais não têm fontes de alegria que não sejam seus filhos, as crianças podem acreditar que são o centro do universo", lembrou.

Dar atenção de maneira errada faz com que as crianças sejam mimadas e isso acontece através de exemplos que os pais dão em casa. Ensiná-los a lidar com emoções, mostrar alegria em ajudar as pessoas, ensinar a encarar as dificuldades e não suprir essa necessidade com bens materiais evitaria crianças mimadas.

As crianças não são ajudadas a conhecer sua própria beleza interior e percebendo que serão avaliados apenas pela sua aparência, posses ou performances, passam a acreditar em valores inversos. Muitos se veem forçados a colocar uma máscara, a ignorar os seus próprios impulsos mais profundos e não se sentem valorizados por suas qualidades interiores, sua bondade, suas risadas, suas inspirações e sua paixão pela vida.


Robbins lembra que os pais são observados o tempo todo pelos filhos e são a janela do comportamento deles. "Às vezes, você pode sentir que as crianças não estão te ouvindo, mas posso garantir-vos que eles estão sempre observando você. Eles podem parecer estar ignorando suas palavras, mas eles estão pagando uma grande quantidade de atenção para o seu exemplo. Eles são grandes imitadores, então cuidado com o que você lhes dá para imitar", concluiu.

Por Catharina Apolinário

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