Escolas usam games e peças de teatro para ensinar matemática

Filhos aprendem matemática com games

Foto: Oliver Rossi/Corbis

Embora ela esteja atrelada a diversas tarefas que realizamos durante o dia, nem todo mundo gosta de matemática. E essa falta de intimidade com os cálculos atinge principalmente as crianças. A matéria é a grande vilã dos boletins escolares dos pequenos e até dos mais crescidinhos!

Com o intuito de melhorar o desempenho dos estudantes do ensino médio no Rio de Janeiro, as escolas públicas e as instituições SESI/SENAI encontraram uma maneira dinâmica de ensinar a disciplina. Por meio do programa SESI Matemática, os adolescentes usam games e outros recursos tecnológicos para aprender o conteúdo.

O programa foi desenvolvido pelo Sistema FIRJAN e é um incentivo para minimizar a deficiência do ensino que tem impacto direto fora das salas de aula. Isso porque, de acordo com a pesquisa da FIRJAN, mais de 600 empresas de todo país revelam que a falta de competência matemática e de raciocínio lógico são carências apresentadas pelos trabalhadores atuais.

Aliás, no último exame do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) que avalia o desempenho escolar em matemática, leitura e ciências, o Brasil ocupou a 53ª posição entre 64 países. Muito atrás da China, Singapura e Hong Kong, que aparecem nas primeiras posições. Já em relação aos países da América Latina, o Brasil também apresenta defasagem e fica atrás do Uruguai, Chile, México e Argentina.

Métodos aderidos por outras escolas

Para minimizar a dificuldade de seus alunos em compreender a matéria, o professor João Batista do Nascimento, da Faculdade de Matemática do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN) da Universidade Federal do Pará (UFPA) criou o Projeto de Extensão "Atividades de Matemática para 3ª e 4ª séries".

Ele elaborou a peça chamada "De ponto em ponto formamos...", na qual os personagens representam elementos da Geometria Plana. A peça é dividida em cinco atos: OH! Sujeito quadrado!; Triângulo Amoroso; Círculo Vicioso; Tem que andar na linha e Ponto Finalmente. A metodologia foi batizada de "Matemática e Teatro - da construção lúdica à formalização".

Em São Paulo, Sandra Moreale, professora de matemática do oitavo ano do Colégio Joana d’Arc, também gerou uma metodologia para estimular o interesse dos alunos pelos cálculos. Ela usa taxas e impostos como ferramenta de ensino em suas aulas e procura e ensiná-los que a matemática está muito mais presente no nosso dia a dia do que parece.

"Eles aprendem com maior facilidade, não apenas a teoria, mas a prática, e entendem onde vão aplicar aquilo", diz. "É mais gostoso estudar um conteúdo que você consegue aprender", garante a professora.

Sandra relata que os estudantes são estimulados a pesquisar e colher informações em casa. "Pedimos uma pesquisa prévia e eles vão procurar. Será que os produtos realmente estão baratos? Qual a porcentagem de imposto que existe em cada aparelho? Os países trabalham isso de maneira igual? Eles vão buscar isso na vida deles", conta.


O método que existe há cerca de quatro anos é aplicado a partir do sexto ano até o ensino médio. "Por meio desse artifício houve uma melhor fixação dos conteúdos trabalhados em aula e maior motivação dos alunos, pois vivenciam o conhecimento no cotidiano", descreve ela.

Outro efeito positivo é que eles passam a ser mais críticos e questionadores. "Trazem a realidade da família para a aula, como valores de IPVA, de IPTU, analisam planilhas, quanto os pais gastaram em saúde, em educação, em lazer e começam a dar mais valor a isso tudo", afirma. "Foi muito positivo", avaliou Sandra Moreale.

Por Stefane Braga (MBPress)

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