Escola de princesas prepara meninas para o mundo real

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Escola de princesas prepara meninas para o mundo r

Quando a gente ouve a palavra princesa logo vem à nossa mente a imagem de uma mulher submissa, à espera do tão sonhado príncipe valente montado no cavalo branco. Mas para a professora e fundadora da Escola de Princesas Nathália de Mesquita, essa princesa se atualizou com o tempo e se tornou mais sabida e independente.

Os novos conceitos da princesinha do século 21 são apresentados por meio de cursos na Escola de Princesas em Uberlândia, Minas Gerais. Fundada em janeiro de 2013 pela Nathália, as aulas destinadas a meninas de três a 15 anos são bem concorridas e tem até fila de espera para 2014.

"Sempre falo com as alunas, e principalmente com os pais, que aqui elas encontrarão uma princesa do mundo real, com valores, deveres, obrigações, dificuldades e responsabilidades. Ensinamos sobre os ‘perigos’ do mundo e que a vida não é tão ‘cor de rosa’ como parece ser nos contos de fada", garante Nathália, diretora da Escola de Princesas.

As turmas são divididas por idade: de quatro a seis anos, de sete a nove, de 10 a 12 e de 13 a 15 anos. Há ainda aulas individuais e em grupos que variam de duas a 12 pessoas. Há ainda eventos pontuais, que reúnem grupos de oito a 48 meninas.

Os módulos vão do básico ao avançado, também de acordo com a idade. Nas aulas de culinária, por exemplo, as princesas mais novas aprendem lanches rápidos e sem fogão. Já as mais velhas, refeições completas. Os eventos (minicursos) custam a partir de R$ 90. E os cursos mais completos, de três meses de duração, começam em R$ 1.200.

Nos cursos as alunas recebem aulas de bons modos e aprendem a arrumar um quarto, uma cama e um guarda-roupa. Com isso, as meninas se tornam mais organizadas, cuidadosas e independentes. "Amanhã, se ela for morar sozinha, no exterior, ou mesmo se casar e ter seu próprio lar, não terá dificuldades em se manter sozinha, caso não tenha ajuda", diz Nathália.

Além de tornar as princesas boas filhas, mães, esposas e profissionais, a escola tenta resgatar valores que as mães não têm mais tempo de ensinar. Segundo a professora, a luta pela independência fez a mulher ir de uma extremidade (rainha do lar) para outra (profissional). Valorizou-se demais a carreira e os lados mãe, esposa e dona de casa ficaram para trás.

Escola de princesas prepara meninas para o mundo r

Algumas situações que para as mães pode ser um tormento hoje, para as filhas que frequentam a escola pode não ser. Por exemplo: para ir a um evento de última hora, as alunas vão aprender a arrumar o próprio cabelo, fazer a maquiagem, as unhas, pregar o botão da roupa, lavar e passa o vestido sem depender de ninguém. No dia a dia saberão preparar seu alimento, escolher a roupa adequada para cada situação, organizar seu material de escola e de trabalho.

"As mães de hoje querem justamente um apoio, uma ajuda naquilo que elas não tiveram oportunidade de aprender ou fazer. Além do mais, nos preocupamos em formar o caráter dessas meninas, resgatar valores éticos e morais que, infelizmente, vêm se perdendo com o tempo. Não tem como exigir um comportamento ‘x’ se o valor e a importância do mesmo não estiverem no coração das meninas. Comportamento e caráter andam sempre juntos!", defende a empresária.

A escola procura também frear a vaidade precoce, explicando o que é da princesa (criança) e o que é da rainha (mãe). Entre as mais novas prega-se que o batom vermelho, a maquiagem forte, o salto alto entre outros itens são da rainha. Por isso, as princesinhas devem se preocupar agora em brincar e ter uma vaidade menos exagerada (basta escovar os dentes, pentear o cabelo, estar com a roupinha limpinha e até passar um gloss ou um perfume). É o suficiente.

Já as mais velhas passam por um processo de "desconstrução". "As adolescentes, às vezes, têm muitas coisas, mas nem sabe o porquê e nem como usar (é aquela expressão: ‘todo mundo tem, todo mundo faz’). Então, as fazemos refletir se tudo isso vale a pena. Se realmente é necessário", explica Nathália. "Promovemos mudanças de dentro para fora. Observo que, muitas vezes, elas nem pararam para pensar se são elas mesmas que querem ou se foram influenciadas. Já estamos conseguindo bons retornos disso."

A criadora da Escola de Princesas defende que a iniciativa procura instigar a reflexão dos pais e dessa nova geração de crianças. Mesmo com tanta tecnologia e modernidade, ficaram muitas lacunas a serem preenchidas. "Precisamos continuar a ensinar os bons valores, dar uma boa educação não só acadêmica, mas emocional, social e comportamental. Os filhos são o que temos de mais precioso e são totalmente ensináveis, principalmente pelos exemplos."

Há quem veja uma escola como a de Nathália um verdadeiro retrocesso, mas para a psicóloga clínica Marisa de Abreu a iniciativa de Nathália é bastante válida. "As mães, e talvez a família, aprovam que suas filhas aprendam bons modos, higiene pessoal, cozinhar, arrumar a casa etc. São comportamentos aprendidos em casa e que, antigamente, se contava com a escola formal para reforçar tais ensinamentos."


Inclusive, a psicóloga acha que estes ensinamentos poderiam se estender aos meninos. "Hoje muitos deles gostam de cozinhar. Se há críticas contra a escola, acredito que seja pelo fato de só aceitar meninas. Pense bem, você não gostaria que seu namorado ou irmão aprendesse um pouco disso tudo também?", questiona.

Juliana Falcão (MBPress)

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