Escola bilíngue para os pequenos: sim ou não?

Escola bilíngue para os pequenos

Foto: Oliver Rossi/Corbis

Dominar um segundo idioma tornou-se uma necessidade cada vez maior para quem deseja se destacar no mercado de trabalho. E preocupado com o futuro dos filhos, há famílias que tentem incutir neles um segundo idioma desde cedo, matriculando-os em escolas bilíngues.

Uma contagem extra-oficial da Organização das Escolas Bilíngues de São Paulo (OEBI) concluiu que existem 96 escolas bilíngues no Brasil, sendo 56 só no estado de São Paulo. "O tipo de escola bilíngue comumente presente na mídia hoje em dia é o de prestígio. E sua procura tem crescido em paralelo ao crescimento da oferta", analisa Patrícia Escanho, coordenadora da escola Kinder Kampus.

É importante explicar: o Brasil não é um país monolíngue. Segundo o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), liderado pelo Ministério da Cultura, no país são faladas mais de 210 línguas.

"Assim, do ponto de vista da educação, existem por aqui diversos tipos de escolas bilíngues: de fronteira (do Brasil com países do Mercosul), em Libras, indígenas, internacionais e bilíngues de prestígio", explica Patrícia. "Com exceção da última, todos os outros tipos nasceram da necessidade de unir a língua falada no contexto cultural e social em que a escola estava localizada com a língua portuguesa (oficial do país).

A criança tem capacidade de aprender um segundo idioma desde o berço, como ocorre com aquelas que vivem em contextos bilíngues desde o nascimento. A coordenadora da Kinder Kampus defende que a criança exposta a um segundo idioma desde bem pequena desenvolve uma relação com essa língua que facilita a aprendizagem. Inclusive há pesquisas apontando que alunos bilíngues apresentam um melhor rendimento na assimilação da língua materna.

Entretanto, essa não é a única vantagem: "A maior está relacionada ao desenvolvimento cognitivo. Alunos bilíngues, por estarem em contato com línguas diferentes o tempo todo, tornam-se mais habilidosos ao desempenharem tarefas relacionadas à linguagem, como ler, escrever, comunicar ideias, guardar informações e relacionar eventos", aponta Patrícia, lembrando que a metodologia de escolas bilíngues se baseia nos princípios pedagógicos difundidos pelo MEC.

Por meio das lições de casa e de conversas os pais acompanham a evolução dos filhos no aprendizado da língua materna. Porém, o fato de os responsáveis não dominarem um segundo idioma não impede que os herdeiros ingressem em escolas bilíngües. Há outras maneiras de se fazer o acompanhamento. "Em casa, os pais podem favorecer o uso da segunda língua deixando livros e filmes à disposição da criança", sugere a coordenadora.

Entretanto, no caso da língua inglesa, Patrícia nem vê motivos para os pais se preocuparem em produzir situações fora da escola para o aluno utilizar o segundo idioma em contextos comunicativos. "Essa língua aparece em diversas situações vividas por falantes ou não do inglês. Temos como exemplo a televisão (programação regular, eventos esportivos, filmes), vídeo game, pesquisas realizadas no computador, interação com turistas, em viagens etc", comenta.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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