Erotização infantil: como preservar nossos filhos?

Erotização infantil como preservar nossos filhos

Foto: Wolfgang Weinhäupl/ Westend6/ Corbis

Quando a sexualidade começa a invadir o universo infantil, os pais precisam se preocupar. O que mais se vê nas redes sociais e pelas ruas são crianças imitando coreografias totalmente sensualizadas, deixando os adultos envergonhados e de cabelos em pé.

Crianças são como esponjas e imitam tudo o que veem, inclusive as coreografias das dançarinas de axé e de funk. O mais novo fenômeno dos pequenos é o Quadradinho de 8, gravado pelo Bonde das Maravilhas. E apesar de o mundo "respirar" sexo, as crianças sabem mesmo o que estão fazendo? Sabem o apelo erótico que certas letras e coreografias trazem?

"Se a criança dança na boquinha da garrafa, por exemplo, ela está imitando uma outra pessoa e experimentando o que a cultura dela lhe oferece. Nessa fase do desenvolvimento não há malícia. O significado erótico quem dá é o adulto e quem conhece o sentido por trás da dança também é o adulto", diz a psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Pozza.

O ato de dançar é consciente para os pequenos, mas não há para eles um sentido erótico, pois não conhecem, ou não deveriam conhecer, o significado sexual. Sendo assim, se expõem nas redes sociais, abrindo portas para situações que envolvam pedofilia e abuso sexual. A erotização de maneira natural e gradual começa na pré-adolescência. E, segundo a psicóloga, expor os filhos pequenos a danças sensuais, cenas de sexo, novelas e filmes inapropriados para a sua faixa etária incentiva e contribui para uma erotização precoce.

Proteger a criança desses conteúdos depende da educação e cultura dos pais. Os que definem danças eróticas como algo natural e convivem num meio em que músicas que envolvem a sexualidade estão presentes irão interferir no desenvolvimento dos filhos. "A criança deve ser respeitada, pois ela não tem recursos e condições de lidar com as consequências da erotização de uma dança, por exemplo", alerta Ana.


Por outro lado, a psicoterapeuta avalia que os pais moralistas, que não lidam com a situação por meio do diálogo, podem provocar o efeito inverso, no caso, a curiosidade, descontrole e falta de limites quanto ao próprio corpo. "Por negarem demais, por não tratarem com naturalidade e enxergarem a sexualidade como algo feio ou sujo, podem acabar prejudicando o desenvolvimento erótico, tornando-o inadequado."

Essa onda de erotização infantil pode ser combatida com diálogos e com o incentivo a brincadeiras infantis, lúdicas. "Os pais não devem vestir a menina como uma moça nem estimular que ela tenha namoradinhos. A criança é desprotegida e, quando estimulada, corre o risco de se expor a situações nas quais não tem ideia ou consciência. Tudo tem seu tempo", pondera Ana Pozza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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