Envelhecimento da população

Envelhecimento da população

Pelo menos metade dos bebês nascidos hoje em nações ricas viverá além dos 100 anos se a expectativa de vida continuar caminhando como está. O dado, resultado de um estudo feito na Dinamarca e publicado no jornal médico "The Lancet", coloca um desafio, principalmente aos sistemas sociais e de saúde desses países. Isso porque essas pessoas provavelmente não apenas viverão mais, como também em melhores condições e mais saudáveis.

"O aumento linear da expectativa de vida por mais de 165 anos não sugere um número limite para a idade das pessoas. Se a expectativa estivesse perto de um limite, alguma desaceleração seria verificada. O aumento significa então que não estamos nem perto do limite da expectativa de vida máxima", afirma Kaare Christensen, do Centro de Envelhecimento da Universidade do Sul da Dinamarca. Ela e seus companheiros de pesquisa acreditam que, mesmo que as condições de saúde das pessoas não melhorem, 75% dos bebês nascidos em 2000 viverão tranquilamente até os 75 anos. Em 1950, as expectativas de sobrevivência entre 80 e 90 anos era de 15% para as mulheres, por exemplo. Em 2002, esse número aumentou para 37%.

O estudo tomou como base vários países ricos e mostrou que em 2050, suas populações serão menores e mais velhas, o que significa menor força de trabalho e uma bola de neve quando se pensa em previdência e sistema saúde. A pesquisa afirma quem dependendo como forem tratados, os mais velhos terão condições de trabalho e viverão com relativa qualidade - se depender, é claro, dos avanços tecnológicos e médicos.

Mas não basta apenas acreditar nisso tudo, é preciso agir imediatamente para não sofrer as consequências. O médico cirurgião Wagner Marujo, diretor técnico do Hospital Infantil Sabará, de São Paulo, acredita que os homens não foram programados para viver por tanto tempo. Segundo ele, ainda que algumas pessoas cheguem aos 100 anos, a maioria não deverá ultrapassar os 80 anos.

"Nosso projeto genético não é compatível e as doenças degenerativas inexoravelmente se estabelecerão. Apesar disso, muito mais pessoas certamente chegarão à sexta, sétima década, se conseguirem se livrar das mortes violentas e adquirirem hábitos de vida mais saudáveis", pondera.

Mesmo assim, ele acredita na necessidade de um novo arranjo entre novos e velhos, que torne a vida em sociedade viável. "O sistema de previdência precisa ser reorganizado, os equipamentos sociais precisam estar adaptados aos idosos", sugere. Isso significa mais opções de lazer para os mais velhos, mais rampas de acesso e casas especialmente adaptadas ou construídas. "O sistema de saúde precisa ser adequadamente financiado e equipado para atender às demandas específicas dessa faixa etária", avalia. Nesse caso, é preciso ter menos maternidades e mais clínicas geriátricas, por exemplo.


Além de tudo isso, as famílias terão de se reestruturar para cuidar dos seus idosos. Se nossos bebês farão 100 anos ou não, o certo é que os estudos comprovam e as estatísticas reiteram: estamos mesmo envelhecendo - e vivendo mais, enquanto velhos. A chance de que isso seja em qualidade depende, e muito, da gente mesmo!

Por Sabrina Passos (MBPress)

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