Empreendedorismo infantil: como trabalhar essa ideia?

Empreendedorismo infantil como trabalhar essa idei

De acordo com uma pesquisa da Endeavor, o número de empreendedores no Brasil cresceu 44% nos últimos 10 anos, chegando a 28% da população entre 16 e 64 anos. Dos 72% que ainda não são empreendedores, 33% têm vontade de ser. E não pense que essa habilidade é despertada apenas nos adultos, viu? O empreendedorismo infantil tem sido bastante estimulado.

Fontes apontam que o menor empresário do mundo tem apenas nove anos. E detalhe: ele já criou três empresas! O pequeno Henry Patterson, de 9 anos, começou a vida empresarial vendendo adubo no eBay. Depois passou a comprar produtos em uma loja perto de sua casa, em Bedford, Inglaterra, e revender. E a mais nova empreitada do garoto é a venda de doces para crianças. Trata-se da "Not Before Tea" (Não Antes do Chá) e o retorno tem sido um sucesso.

Henry conta com a ajuda dos pais, mas ele mesmo se encarregou de desenhar o logotipo, criar a estratégia de marketing e as embalagens dos produtos. "Historicamente, quem começa a empreender muito cedo tende a não parar de criar novos projetos. Alguns estudiosos comparam esse comportamento a um ‘vírus empreendedor’", explica o professor Alexandre Nabil Ghobril, Coordenador de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De olho no potencial das crianças, o Brasil tem desenvolvido diversos projetos de estímulo ao empreendedorismo no ensino fundamental e médio. Nabil cita como exemplo o trabalho do Professor Fernando Dolabela, que tem implementado sua "pedagogia empreendedora" em centenas de escolas municipais. Outro projeto é o da Prefeitura de São José dos Campos, que promove uma feira de exposição de projetos criados pelos alunos do ensino fundamental.

Alexandre defende que todas as pessoas têm potencial para empreender. É nato para alguns, mas pode ser estimulado e desenvolvido nos demais. "Algumas pessoas têm uma capacidade maior de enxergar as oportunidades e transformá-las em negócio. Mas isso é resultado não só do tino empresarial nato, mas do ambiente em que ele está inserido (família, cultura, referências, experiências)".

E completa: "Se a criança naturalmente segue na direção de criar e empreender é porque isso é sua vocação natural, algo agradável e gratificante para ela. Isso não é comparável ao trabalho infantil forçado para ajudar nas despesas da família."

Sendo assim, os pais são fundamentais na hora de estimular o empreendedorismo dos filhos. Conforme orienta o professor, eles devem mostrar aos seus herdeiros o valor do trabalho, a importância de se lutar e se esforçar para alcançar seus objetivos, a disciplina inteligente (não a coercitiva), a importância de sonhar grande e os exemplos e as recompensas de quem ‘faz diferença’. "Faça viagens, trabalho nas férias e limite o valor da mesada, de forma que a criança aprenda a dar valor ao dinheiro e ao trabalho e busque sua própria independência".


A escola também pode fazer sua parte, propondo atividades (gerar soluções para a reciclagem local do lixo, produzir um jornal da escola ou uma competição de robôs) que valorizem a criatividade e a solução de problemas reais, que será útil qualquer que seja o caminho profissional do aluno. Durante esse processo, pais e professores devem não somente incentivar, mas também orientar a criança para que ela possa conciliar essa atividade empreendedora com outras importantes para sua fase, como os estudos, os amigos e o lazer.

Na opinião do professor, geralmente a veia empreendedora não atrai crianças muito apegadas às regras, presas aos diversos "isso não" que ouvem o tempo todo de pais e professores. A maior parte delas tem esse espírito empreendedor desde pequenas, mas os adultos teimam em ‘podar’ os filhos para manter a "ordem e a disciplina". "Estimular o fazer, dar autonomia e alguma liberdade para a criança criar e realizar o que gosta é a chave para ela se desenvolver. Saber a dose de "nãos" que devemos falar é uma equação muito difícil para pais e educadores", pensa Alexandre.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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