Educar meninas para serem princesas ou lutadoras?

Educar meninas

Foto: Darren Kemper/Corbis

Educar meninas é um processo complicado. Uns pensam que elas devem ser doces e delicadas como as princesas tradicionais da Disney. E outras pessoas, que sejam essas mesmas meninas sejam lutadoras e pouco passivas. Os dois lados são importantes, mas como dosá-los da maneira certa?

Quem colocou o assunto em pauta esta semana foi a jornalista Marilia Neustein, colunista do Estadão. Ela selecionou dois vídeos que mostram dois extremos: uma traz uma mexicana de sete anos que critica com veemência a postura das princesas da Disney. O outro é um comercial da Disney que fala sobre a magia de ser princesa.

A garotinha mexicana usa o tema relacionamentos como norte do seu discurso. Para ela, as princesas são boludas o que, na tradução literal, quer dizer burras. Isso porque elas ficam presas em torres, chorando e esperando pelo príncipe encantado. Não fazem o menor esforço para sair de lá. E faz comparações entre os comportamentos de algumas princesas, exaltando a coragem de Mulán.

"Mulán é muito forte, mas as outras dizem ‘resgate-me! resgate-me’". A mexicana garante, ainda, que os príncipes de verdade, aqueles sem cavalo branco e espada, não estão à procura de mulheres burras, mas sim inteligentes e lutadoras.

Já o outro vídeo tenta resgatar a magia das princesas da Disney, que conseguem enxergar o mundo de maneira mais doce e leve. São carinhosas, gostam dos animais e cuidam na natureza. O texto é todo em primeira pessoa e traz meninas vestidas de princesa e de roupas simples, mas todas executando atividades de maneira suave e feliz, na ânsia de tornar o mundo mais doce.

Parte do texto diz: "Sou uma princesa. Às vezes, sou forte e, às vezes, tenho medo. Às vezes, sou forte até quando tenho medo. Acredito em lealdade e confiança. Acredito que compaixão me faz mais forte e que delicadeza é poder".

O grande desafio das mulheres hoje é saber dosar sua capacidade de ver o mundo de maneira leve com sua veia lutadora que a ajuda a "matar um leão por dia". A mulher quer tanto a igualdade de gêneros que chega a brigar contra sua própria sensibilidade, achando que ela é um obstáculo em sua vida. Mas esquece que é justamente esse dom que a difere de muitos homens e que as fazem, muitos vezes, angariar boas oportunidades na vida profissional.

Ser princesa nem sempre é ser burra. Há uma hora certa para deixar o sentimento e para descer do salto e vestir a armadura de guerra. Basta apenas a mulher desenvolver a habilidade de identificar o momento certo para mostrar cada uma das suas habilidades.


Por Juliana Falcão (MBPress)

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