Educar com ou sem palmadas?

Educar com ou sem palmadas

Quando nascem os filhos, tudo que os pais desejam é que sejam crianças educadas, prestativas e que tirem boas notas na escola. Mas nem sempre o desejo do pai é o que realmente acontece com as crianças, pois algumas delas se tornam rebeldes e bagunceiras. Na cabeça de qualquer pai surge a dúvida: o que estou fazendo de errado na educação do meu filho? Qual a melhor maneira de corrigi-lo?

Em maio do ano passado (2011), o empresário chinês Xiao Baiyou lançou o livro: "Bata nos seus filhos até a Universidade de Pequim", para relatar a forma como educou seus filhos. Em sua casa existem regras desde a maneira de se portar à mesa até o tempo disponibilizado para assistir televisão. Encontros com amigos também foram instintos por ele. O empresário acredita que três de seus filhos só chegaram à Universidade de Pequim devido às correções físicas que ele aplicava quando não se comportavam devidamente.

Xiao escreveu o livro impulsionado por seus amigos que acreditavam que seu método era realmente eficaz. O lançamento causou polêmicas em torno de como educar corretamente os filhos e na segunda edição da publicação, o nome passou a ser: "Então, irmãos e irmãs na Universidade de Pequim". "Infelizmente ainda existem culturas e sociedades acreditando que bater é uma forma de educar. Porém, podemos analisar que se bater é uma boa forma de educar, teríamos hoje uma sociedade educada (sem violência e tolerante, mas não é isso que temos", comentou Paula Pessoa Carvalho, Psicóloga Infantil Comportamental e Orientadora Educacional.

Lei da Palmada

Para Paula não existe uma fórmula única para educar, o que pode ser feito é impor limites, regras e respeito através do diálogo, sem vincular agressividade e impondo o medo nas crianças. "Os pais educam com muita permissividade, para compensar suas ausências, e é neste momento que estes perdem o controle da situação e batem nos filhos. Isso gera a revolta e causa medo nos pequenos e não respeito. Além disso, pode levar a criança a ser um adulto também agressivo, com dificuldade de se relacionar e que não sabe lidar com frustrações", acrescenta.

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou em dezembro do ano passado a chamada Lei da Palmada, projeto que prevê punições aos pais que baterem em seus filhos. O projeto foi bastante questionado pelos deputados, que afirmavam que essa proibição poderia tirar a autoridade dos pais e, por isso, era um desrespeito ao direito dos mesmos.

Mesmo assim, a lei foi aprovada com unanimidade e especifíca que crianças e adolescentes devem ser protegidos do castigo físico, quando houver uso da força, resultando em sofrimento e lesão para a criança. E o infrator pode ser sujeito a cumprir penas socioeducativas, tratamento psicológico, adesão a programas de proteção à família e até ao afastamento dos filhos. Para denunciar, a pessoa pode recorrer ao Conselho Tutelar, delegado de polícia, Ministério Público ou juíz.


"A Lei vem para proteger as crianças, que não podem se defender de pais que perdem o controle e as agridem causando lesões corporais. Pais que criam seus filhos com amor e respeito nunca serão prejudicados ou desautorizados. É possível corrigir os filhos somente impondo regras, limites e na base do diálogo. Precisamos ter respeito com os pequenos e com os adolescentes, saber ouvir, mostrar o modelo, não ceder e aguentar a frustração deles para que eles aprendam. Sempre através do respeito, diálogo e do carinho", diz a psicóloga Paula Pessoa Carvalho.

Por Stefane Braga (MBPress)

Comente