Édipo é pouco!

Eu quero fazer uma tatuagem, a primeira da minha vida, mas não tinha falado nada em casa ainda. Ao comentar o assunto ontem em casa, já que esta semana vou a um estúdio bem recomendado meu filho veio com todos os preconceitos da babá/vovó dele, mas me surpreendeu logo depois com um pedido insólito: que eu escrevesse o nome dele no meu tornozelo, para que todos soubessem que eu sou dele para sempre.

Não dá para recusar, né? Mas ao mesmo tempo é um pedido super-hiper edipiano. Quando eu concordei, ele me abraçou, me beijou, quis assistir TV deitado no sofá agarradinho comigo. Tatuagem é feio? Sim, desde que seja algo não relacionado a ele. Meu corpo pertence a ele! E ele jurou que quando crescer escreverá "Mãe" no corpo dele também. Acho que psicólogos diriam para eu não dar corda a isso, mas... que se dane.

Mãe e filho homem é uma relação muito forte. Tem proteção, ciúmes, cuidado, tudo além da conta. Mãe de menino é um pouco jocasta mesmo, quer criar um macho poderoso, príncipe destinado a destronar o rei e governar e fazê-la Rainha Mãe, assim ainda mais poderosa do que a consorte que ele vier a escolher na vida, pois são carne da mesma carne, sangue do mesmo sangue, não existe entre eles a responsabilidade da procriação, mas a cumplicidade, sem competição alguma, uma cooperação imensa!

O filho homem é a coroação da mulher como procriadora, é o sinal da bênção, de que ela é capaz de preservar o nome e o poder. A matriarca só o é enquanto contraparte do patriarca. Sara e Abrahão, e ela só se consuma quando pare o filho varão. Eu sou Sara, sou Raquel, Rebeca, Ruth, Hadassah, sou matriarca através do meu filho. Acho que por isso não abro mão do meu nome de casada, pois eu sou responsável pela continuação do sobrenome deles... não a minha cunhada, mas eu e até agora, somente eu.

Ver o quanto esses conceitos estão arraigando em mim me assusta um bocado. Acho mesmo que a frustração do meu pai por não ter tido filho homem, e a visão dele da minha mãe como tendo falhado nesse intento, me fez valorizar ainda mais. Eu assumi um monte de conceitos e preconceitos. E haja material para terapia!!!!! Pelo bem meu e do meu filho amado e idolatrado! Pois édipo e jocasta são pouco nessa história!

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