Drogas: não é só com os filhos dos outros que acontece.

O primeiro sentimento foi de incredulidade. Não, só podia ser trote! Como eu poderia creditar que meu filho, um menino bom, carinhoso, bonito, companheiro tivesse usando dorgas?

Tentei me acalmar e meio sem chão, buscando na memória algum indício, algum fundo de verdade, algum sentido prático para dar um mínimo de credibilidade a senhora que sem se indentificar disse que eu tomasse cudado com meu filho porque ele estava usando cocaína e ela como mãe não queria ver meu filho à beira do abismo.

Enquanto esperava ele voltar da escola, virei seu quarto pelo avesso porcurando alguma pista que me fizese crer no absurdo. não encontrei nada.

Ele chegou ( um pouco atrasado como as vezes costumava) e veio direto me beijar como de costume.

Chamei para uma conversa, falei do trote, pedi pelo Amor de Deus que se fosse verdade não tive receio de me dizer que juntos nõs resolverímaos o problema.

Ele negou, olhando nos meus olhos afirmou que nunca havia experimentado drogas.

Um sexto sentido de mãe, ou intuição, sei lá quê, não me conveceu. Mesmo não havendo motivos pra duvidar da palavra dele, eu não fiquei tranquila. Liguei para um laborátório me informando sobre exames toxicológos e marquei para o mesmo dia: (13/10/2009 nunca mais vou esquecer desta data). Ele não se negou a ir comigo e até a porta do laboratório, ainda demonstrava segurança.

Já entrando na sala ele disse: precisa fazer exame não, mãe, eu cheirei pó.

Por mais que eu queira não consigo descrever meus sentimentos. Culpa, vergonha, raiva, desamparo, sentimento de traição...eu não soube o que dizer, apenas chorar. Como entender que a pessoa por quem eu seria capaz de dar minha própria vida teve a coragem de fazer isso comigo?

As conversas que sempre tivemos sobre o assunto, a dedicação, o cuidado...onde, em que momento eu fui negligente?

Usou para experimentar? como assim, se tantas vezes eu orientei que é dessa forma que se entra nesse submundo?

Ele chorou, jurou pra mim que não é viciado, que era apenas ocasional, prometeu que nunca mais faria isso e perdiu perdão.

Hoje faz oito dias que tudo isso aconteceu, e durante esse período pude analisar pequenos detalhes que me passaram desapercebido: A falta de interesse por mulheres ( não podia ver uma saia), novas amizades que eu devia ter checado, as tardes dormindo, os olhos vermelhos ( que eu pensava ser do astigmatismo), a fome voraz num dia e no outro falta de apetite, o baixo rendimento escolar...Meu Deus, como eu pude ser tão cega!

Procuro demostrar tranquilidade fazendo ele acreditar que confio na palavra de nunca mais fazer isso, mas confesso a vocês que eu não confio. Estou vigilante, observando o seu comportamento e tentando fazer com que a rotina da casa volte ao normal. Tá difícil, não quero que ele perceba que eu não confio que ele não vai mais usar drogas, porque sei que ele precisa sentir-se apoiado.

Li muito sobre o assunto, e estou disposta a tudo pra livrar meu filho desse mal, mas a confiaça foi perdida. Ele tem apenas 16 anos, não é menino mal educado e tem respeito por mim, mas eu sinceramente, não sei mais quem ele é de fato. Foi dissimulado e mentiroso. Estou esperando um momento oportuno, de descontração onde o pai esteja presente pra que ele me conte o que de fato fez ele fazer isso com ele.

Não quero pressioná-lo e muito menos saturar essa conversa porque quero que haja sinceridade nas suas palavras, que eu possa sentir de fato que meu filho errou, cometeu um deslize mas se arrependeu. Oro a Deus todos os dias, peço a proteção de Nossa Senhora para que me ajude nesse momento tão difícil da minha vida.

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