Como recomeçar? Dicas para mães que perderam um filho

Veja dicas para seguir em frente com leveza e amadurecimento
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Ana Carolina Oliveira

Ana Carolina Oliveira deu à luz a Miguel.

O Brasil inteiro acompanhou o caso de Ana Carolina, mãe de Isabela Nardoni, uma garotinha que foi assassinada pela madrasta e o próprio pai há cerca de oito anos atrás. Recuperada do trauma e com um novo casamento, a mulher afirmou a imprensa que recomeçou uma nova vida já que neste ano deu à luz a Miguel, seu novo filho. O caso serviu para relembrar que ninguém está preparado para a perda de um filho, mas quando acontece, um dia é preciso recomeçar.


A decisão de ter um novo filho  ou até mesmo rever a forma como educa e cuida de seus filhos é saudável e deve sim ser planejado, mas é necessário atentar-se a alguns aspectos antes de tomar esta decisão. 

A família é a base

A vivencia do luto frente a perda de um filho pode ser um pouco mais extenso quando compararmos com outros entes, porém há um comportamento que não pode se estender – quem fica não pode ser esquecido. Algumas famílias possuem outros filhos que vivenciam tanto a dor da perda de um irmão, quanto a ausência dos pais, até mesmo casais que se distanciam um do outro frente a este momento.Neste momento é muito saudável que a família esteja unida, e entendendo que cada um está vivendo a dor da perda à sua maneira, juntos possam passar por esta fase fortalecidos, entendendo que um precisa do outro e que isto é bom.

Um novo filho, uma nova vida

mãe de Isabella Nardoni

Quando estava grávida de 8 meses, a mãe de Isabella Nardoni contou como seguiu em frente: “Lutei muito para ser feliz”

É natural que os pais resgatem lembranças do filho que faleceu, mas quando decide-se ter um filho novamente, deve-se lembrar que aquele que está sendo gerado é outra criança, e não a representação do filho que faleceu. É outra pessoa, outra personalidade, e seria até mesmo injusto com este filho crescer imaginando-se uma sombra daquele que se foi. Decidir ter um filho novamente não mudará o que ocorreu, e caso concretize entender que ele não veio para “preencher um vazio”.

Segurança, SIM. Superproteção, NÃO!

Quando vivenciam uma experiência como a perda de um filho, os pais tendem a rever suas formas de educar e cuidar para “não repetir o mesmo erro”. A questão é que os pais dificilmente entendem que a perda pode ter sido um evento natural da vida e que não seu papel não envolve evitar todos os riscos e danos possíveis na vida de seus filhos.Com isto muitos pais adotam posturas superprotetoras com seus filhos buscando evitar que qualquer mal possa acontecer, porém com isto eles tendem a isolar seus filhos pois temem eventuais perigos, podendo atrapalhar no desenvolvimento natural das crianças.Não é fácil para uma mãe entender que não é capaz de proteger o filho dos males que a vida pode oferecer, mas a conscientização disto é mais saudável para toda a família, pois faz com que os pais sejam capazes de aprender com a experiência ruim e desenvolver comportamentos mais positivos que ajudaram na educação e desenvolvimento dos filhos.

É importante aprender

Ana Carolina Oliveira filho

Ana Carolina Oliveira exibiu no Facebook a foto do bebê Miguel com o marido.

Pode parecer cruel buscar um aprendizado em um momento tão ruim como é a perda de um filho, mas ele pode servir para buscar algo de positivo para a vida. Algumas pessoas por exemplo aprendem a valorizar mais a vida e que todo momento junto é um momento de felicidade, e assim mostram-se mais presentes na vida familiar.Culpar-se da perda não é saudável, faz com que os pais fiquem presos no evento da perda, mas entender e aprender te leva para frente, ajudando até mesmo em manter lembranças boas de seu filho.

Muitos entendem que, seguir em frente, é o mesmo que colocar uma pedra no passado, como se ele nunca houvesse acontecido, quando na verdade é exatamente o contrário. A lembrança sempre ficará, haverá momentos de tristeza e felicidade quando lembrar do filho que se foi, como se fosse uma pequena cicatriz que toda vez que você a vê recorda-se do que causou, porém hoje é “apenas” uma marca, que não nos impede de seguir com a vida, traçando novos planos e criando novas experiências.

Por Psicólogo João Eduardo
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