Dicas para evitar engasgos e sufocamentos infantis

Dicas para evitar engasgos e sufocamentos infantis

O Ministério da Saúde estima que cerca de 200 crianças de até 14 anos morram por engasgos provocados por alimentos ou objetos anualmente. Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria chegou até a lançar uma campanha para alertar os pais sobre um alimento que parece inofensivo: o cachorro-quente.

Só em 2006, 61 das 141 mortes por asfixia naquele país foram causadas por hábitos alimentares. Destas, 17% tiveram o famoso sanduíche como grande vilão. Tudo por causa do tamanho, da consistência e do formato do hot dog que, de acordo com os médicos, pode obstruir as vias aéreas de crianças pequenas.

Apesar de serem os mais atingidos, os menores, de um a três anos não são os únicos que estão em perigo. Meninos e meninas de qualquer idade podem ser vítimas de acidentes causados por comida. "Sabemos que até adultos, às vezes, se engasgam. O que é importante ressaltar é que, se as crianças não têm todos os dentes ainda - o que varia de caso para caso, o ideal é oferecer comidas pastosas, alimentos moles e sempre cortados em pedaços pequenos. Não há como estipular uma idade, já que os dentes não nascem na mesma idade para todas as crianças. Em geral, somente a partir dos oito anos, elas têm a dentição definitiva", explica a pediatra Anna Julia Sapienza, do Hospital Infantil Sabará.

Ela alerta que os pequenos devem ser alimentados sempre sob a supervisão de um adulto. "A partir dos seis meses, quando é introduzida a alimentação pastosa, é importante deixar as crianças brincarem com a comida desde que haja alguém junto. A partir dos quatro anos, as crianças devem comer sozinhas, mas sempre com um adulto por perto. Os alimentos devem ser bem cortados sempre".

Além de cortar a comida em pedacinhos, os pais e mães podem fugir de itens que oferecem risco maior de sufocamento. "É interessante que os pais evitem pipoca, cereja, azeitona, milho, uva, balas duras e grandes, entre outros", diz a pediatra.

Outra observação importante é sobre os bebês. Eles podem engasgar durante as mamadas. Se isso acontecer, a dica é tirar a criança do peito por alguns segundos e colocá-la deitada de lado. Assim, ela pode se recuperar. Não chacoalhe o bebê e nem o vire de ponta cabeça, pois a tosse já é suficiente para que ele melhore.

Aumentar o furo do bico da mamadeira dos bebês maiores também é má ideia segundo os médicos, porque favorece os engasgos. Além disso, a melhor maneira de dar mamadeira é deixando o pequeno sentado. "Não é recomendado dar a mamadeira quando a criança estiver deitada. O ideal é que ela esteja com o dorso flexionado para evitar engasgos. Também não se deve dar a mamadeira quando o bebê estiver dormindo", ensina Anna Julia.

E, quando se trata de bebês mais crescidinhos, todo o cuidado é pouco. Nada de dar alimentos que soltam pedaços grandes e duros para eles comerem sozinhos. "Também não é interessante que os bebês comam no carro sozinhos, pois pode ocorrer um engasgo e o adulto está ocupado dirigindo e não pode cuidar da criança", lembra a médica.

Engasgou, e agora?

E o que fazer quando seu pequeno engasga? Ao perceber que a criança está com dificuldade respiratória, mas ainda respira, tosse e está com o rosto rosado, não tente retirar o corpo estranho da garganta, pois pode empurrá-lo e comprometer a passagem de ar. De acordo com Anna Julia Sapienza, do Hospital Infantil Sabará, se notar dificuldades na respiração, o conselho é procurar um hospital ou chamar a ambulância.

O socorrista leigo pode levar de 5 a 10 segundos para verificar a presença ou ausência de respiração. O caminho é observar o movimento do tórax, escutando a respiração e sentindo o ar exalado. Se a criança respira coloque-a de lado, na posição de recuperação.

Em casos de obstrução grave de vias aéreas superiores, paciente cianótico (ficando azulzinho), com dificuldade respiratória intensa, sem voz ou som respiratório audível, recomenda-se manobras para desobstrução e acionamento imediato do serviço de emergência (resgate):

- se a criança tiver menos de 1 ano, dar 5 percussões nas costas entre as escápulas da criança para ajudá-la a cuspir o objeto estranho. Se ainda obstruída realizar 5 compressões torácicas sobre o esterno (osso do peito);

- já em crianças maiores de um ano, é importante que os pais aprendam a manobra de Heimlich, ou seja, compressão abdominal, logo abaixo das costelas, na região do estômago e em sentido para cima, abraçando a criança por trás, para tentar expelir o objeto que causou a obstrução.


Vale ressaltar que o treino dos pais pode auxiliar o atendimento inicial de uma situação de emergência. A Sociedade de Pediatria tem curso de suporte básico de vida voltado para o público leigo, onde são adequadamente ensinadas as manobras acima descritas, bem como o atendimento inicial de uma parada cardiorrespiratória.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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