Diabetes infantil: como saber a dosagem correta de insulina?

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Diabetes infantil

Foto: B. Boissonnet /BSIP/Corbis

Uma doença que faz qualquer pai perder o sono é o diabetes infantil. A doença, seja em adultos ou em crianças, altera a produção do hormônio insulina, que é feito pelo pâncreas, ou provoca uma resistência à ação da insulina pelo organismo. A função dessa substância é transformar o açúcar (glicose) em energia para o corpo poder funcionar adequadamente.

O diabetes do tipo 1 responde por até 10% de todos os tipos da doença. Ele altera a produção de insulina e acomete mais as crianças. Oitenta por cento dos portadores têm entre zero e 20 anos, sendo que a grande parcela está na faixa dos oito aos 12 anos. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, anualmente, o número de casos de diabetes tipo 1 no mundo tem apresentado um crescimento de 3%, principalmente entre crianças menores de 14 anos.

"O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, por isso surge tão precocemente. O indivíduo destrói as suas células e não produz mais insulina. Quem sofre desse tipo de diabetes precisa receber injeções de insulina, para imitar o trabalho feito pelo pâncreas, que é estabilizar a glicose", explica Balduíno Tschiedel, presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://www.endocrino.org.br/) e presidente do Instituto de Crianças Diabéticas do Rio Grande do Sul (http://www.icdrs.org.br).

Já no diabetes tipo 2, o organismo resiste à insulina e quem sofre desse tipo da doença são os adultos, por conta de genética, obesidade ou sedentarismo. O envelhecimento também contribui para a resistência à insulina.

Um simples exame de sangue pode ajudar a diagnosticar o diabetes. Os sintomas mais comuns do tipo 1 são urinação excessiva, sede e perda de peso, mesmo que a criança coma adequadamente. Além disso, essa doença não leva em conta o histórico familiar, o que torna o diagnóstico mais difícil.

Conforme Dr. Balduíno, quando a doença é detectada muito tarde a criança pode desenvolver a chamada cetoacidose diabética. E esta complicação pode levar à morte. "Quando há falta de insulina e o corpo não consegue usar a glicose como fonte de energia, as células utilizam os estoques de gordura. Só que esse processo leva ao acúmulo dos corpos cetônicos, substâncias que deixam o sangue mais ácido."

Como saber a dose correta de insulina?

A dose de insulina a ser injetada depende de uma série de cálculos que é feita juntamente com o médico especializado. Só que por mais esforço que os pais façam, a possibilidade de fazer exatamente o trabalho do pâncreas é muito pequena. Há uma série de variáveis do dia a dia que dificultam uma definição da quantidade de doses de insulina adequadas.

"Em caso de uma dosagem aquém do que a criança precisa, os pais devem aumentar a dose. Se foi em excesso, é preciso dar uma alimentação extra para a criança. O procedimento em ambos os casos não é difícil, mas quando essa preocupação se torna diária e constante, a ansiedade dos pais podem atrapalhar um pouco esse processo", comenta o médico.


Além de definir a dosagem correta de insulina, outra preocupação dos pais é a hipoglicemia noturna. Quando a taxa de glicose no sangue fica muito baixa e as medidas não são tomadas rapidamente, a criança pode convulsionar. Os primeiros sintomas da hipoglicemia são suor excessivo, frio e pegajoso, palidez, confusão metal e até mudança de humor.

"Enquanto a cetoacidose demora horas para se manifestar, a hipoglicemia pode chegar sem aviso", alerta Dr. Balduíno. "Mas, de qualquer forma, não existe férias para o diabetes, tudo gira em torno da glicose. Os pais precisam buscar informações constantes sobre a doença para lidar com ela da melhor maneira", finaliza.

* Serviço: Balduíno Tschiedel, presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e presidente do Instituto de Crianças Diabéticas do Rio Grande do Sul.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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